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Il Giorno mi Pesa sulla Notte
1995. Escultura, 105X260X40 cm. Galeria Gladstone, Nova York

 


Sisifo
1994. Escultura, 50X100X50 cm. Foto: Gobert Copia


Io (l'uovo)
1978. Fusão em bronze, 50X50X70 cm

 



Luciano Fabro

Por Achille Bonito Oliva

Luciano Fabro trabalha no âmbito de uma idéia de arte como forma de conhecimento em que a exibição material do objeto e da estrutura ambiental venham a se tornar uma solicitação na direção de novas e problemáticas fórmulas de pensamento. A utilização de materiais pouco usuais e a clamorosa aproximação entre eles provoca uma harmonia não apenas inédita mas que proíbe qualquer leitura formal ou passiva. Um efeito de contradição mental justapõe sua aparente tautologia lingüística, uma mudança da imagem que considera a arte uma fonte de intenso conhecimento.

Este artista italiano retira da sua arte todos os significados que não sejam antropológicos ou de atividade manual e material; o sentido da obra como a razão tanto material quanto espiritual da sobrevivência do artista, que sente, na atividade manual planejada ou realizada diretamente, uma cultura, até mesmo uma cultura involuntária, para si mesmo. Vamos olhar suas esculturas de grandes pés, feitas com diversos materiais e formas, italianas ou alemãs chegando até as feitas em mármore Spirato e Colonna. Estas obras nasceram das escolhas sentimentais mas também naturais e originais, como por exemplo a do caçador de três mil anos atrás que caçava para sobreviver e para quem a comida era um grande problema. Fabro, como artista, utiliza sua atividade criativa como um exercício manual que também é um instrumento material de vida, um fato antropológico, com consciência de que não se trata de uma imagem e sim de um simulacro da realidade. Todas as suas obras têm este compromisso, deixando de lado qualquer complicação de composição, mas, ao contrário com uma facilidade consciente e irônica que é capaz de trazer uma cordialidade ao impacto que não traumatize nem distancie o espectador, e que o traga para uma corrente de conhecimento progressivo e surpreendente.

O termo definitivamente progressivo e ao mesmo tempo conceitual que se aplica ao trabalho de Fabro mostra que ele tende a colocar o processo criativo muito mais em evidência do que o próprio objeto. Favorece a atividade puramente pragmática da arte. Seu trabalho não é o resultado de uma organização formal de materiais e sim uma apresentação direta através da montagem dos mesmos, que não esconde nada no plano técnico de forma a celebrar e representar visivelmente as qualidades da idéia à qual corresponde o uso indispensável de um ou mais materiais.

Desta forma, a arte torna-se o lugar em que o artista - através do seu trabalho concreto - traz um conhecimento do mundo através de uma identidade de pensamento e da forma material em que ele é representado. Mas, para Fabro, o conhecimento não é aquele logocêntrico esquemático que domina a cena cultural ocidental, e sim um outro muito mais complicado, articulado e capaz de ampliar os limites de um esplêndido raciocínio sistematizador. Neste sentido, a escultura ou a escultura ambiental movimenta-se em termos do conhecimento abstrato que não solicita a atenção estatística, mas sim aquele movimento que modifica as normas. Neste sentido as obras de Fabro incomodam e provocam um desequilíbrio saudável, pois insinuam e permitem uma abordagem que não é nunca de veneração e de separação, e que é realizada com a cordialidade de uma forma conhecida apenas com uma modificação conceitual, partindo de um movimento lateral que é também um movimento ideológico. Mas aqui, no entanto, a ideologia não corresponde a uma visão totalizadora da arte e da realidade, embora nos chame de volta para o seu próprio uso relativo das regras internas do trabalho. A arte produz uma mudança progressiva de atenção e de sensibilidade de uma forma que proporciona uma experiência mental e emocional que é estranha a qualquer conhecimento muito organizado e muito previsível.



Cronologia


Nasceu em 20 de novembro de 1936 em Turim, Itália. Durante a juventude morou em Friuli (Treppo Grando). Em 1959 mudou-se para Milão, onde freqüentou a comunidade artística, da qual faziam parte Lucio Fontana e Piero Manzoni. Em 1963 criou suas primeiras obras e escreveu La Mia Certezza: Il Senso per la mia Azione, onde traçou o perfil de seu trabalho: a ordem e as causas da realidade e o papel da atenção (espectador). Sua primeira exposição individual teve lugar em Vismara, Milão, em 1965. Nela, ele modificou o conceito de exposição formal para o de liberdade do tipo doméstica, o espaço real participando dessa visão. Em 1966 criou In-cubo, um cubo de fazenda feito de acordo com as medidas da pessoa que iria vesti-lo e as roupas criadas no corpo de quem vai usá-las. Em 1967, com as Tautologie, passou a indicar alterações imprevisíveis em diferentes situações particulares. Pavimento, um pedaço de pavimento encerado, lustrado e preservado com folhas de jornal - técnicas (Fori), físicas (Contatto). Pavimento integra a exposição de Arte Povera (Galleria Bertesca, Gênova, Itália). Em 1968 criou Italia e Folce (Arte Povera + Azioni Povere, Amalfi), que recolocaram em causa a forma como "forma de colocar", como fato que é conseqüência de uma ação. Em 1970 participou da Conceptual Art Arte Povera Land Art (Civica Galleria d´Arte Moderna, Turim, Itália) e da Processi di Pensiero Visualizzati (Processos de Pensamentos Visualizados) no Kunstmuseum de Lucerna, Suíça. Em 1971, com I Piedi di marmo (Galeria Borgogna, Milão, Itália), deu início a um método no qual cada obra era uma invenção formal e um modelo novo em relação à arte e à natureza. Apresentou, em 1972, Piedi di vetro na Bienal de Veneza e Libro na Documenta no 5 de Kassel. Em 1973 criou Lo Spirato (Tra il pieno e il vuoto senza soluzione di continuità). Em exposição realizada na Galeria Contemporanea, em Roma, materializou uma expressão de natureza mental. Em 1975 produziu iconografias denominadas Martiri delle ideologie. Apresentou, na Bienal de Veneza (a propósito de Mullno Stucky), o Progetto Tantalo, feito com um grupo de jovens, no qual fez propostas autênticas de reutilização do prédio. Em 1976 participou de Aptico, Il senso della scultura. Deu início a Attaccapanni: formas reais, movimentos naturais, luzes e sombras coloridas (Framart, Nápoles, Itália, 1977). Em 1978 publicou Attaccapanni pela Einaudi. Expôs Io na Fontana delle Api, de G. L. Bernini, em Roma, Itália. Promoveu a criação da Casa dos Artistas em Milão, Itália. Em 1980 publicou Regole d´arte (em Arte 3). Deu início aos Habitat na retrospectiva realizada em PAC, Milão, Itália (1980). Em seguida produziu Gioielli (1981), enfrentando a questão da iconografia; produziu em 1982 I Baldachini, Enfasi a Roma (Avanguardia Transavanguardia) e na Documenta no 7 de Kassel.
Em 1983 publicou Aufhanger (König, Colônia) que lhe garantiu o prêmio Ludwig e a monografia Fabri di de Sanna (Essegi). Expôs na retrospectiva Loggetta Lombardesca em Ravenna, Itália. Em 1984, Esprit de géometrie, Esprit de Finesse (Merian Park) e Euclide foram realizados de acordo com os movimentos naturalistas e racionalistas. Em 1985, com La Dialettica (Bienal de Paris), deu início às obras em que se defrontaram a escultura esculpida e a rocha intacta, além de questões relativas aos mitos: La doppia faccia del cielo (Sonsbeek, 1986), Demetra (Skulptur Projekte, Münster, Alemanha, 1987). Em 1986, Prometeo (Stein, Milão, Itália) e C´est la vie (Chambres d´amis, Gent, França) discutiram o fim da forma.
Em 1987, retrospectivas em Edimburgo (Fruitmarket), Paris (ARC) e Lyon (Nouveau Musée). Em 1988, retrospectiva em Bruxelas (Palais des Beaux-Arts) com catálogos unificados (com textos teóricos de sua autoria e entrevistas). Confrontou Marcel Duchamp com Nudo che scende le scale (Italie hors d´Italie, Nîmes). Recebeu o prêmio Sikkons em Eindhoven, Alemanha. Entre 1985 e 1989 fez composições com elementos móveis denominadas Ellimori e, entre 1988 e 1990, produziu composições autoformalizantes denominadas Computers. Expôs, em 1988, Balcone em Carnegie International, Pittsburgh, Estados Unidos. Em 1989, em Troubador (Kaufman, Basiléia) os elementos agiam reciprocamente. Expôs L´Infinito da Szwajcer em Antuérpia e na retrospectiva realizada no Castello di Rivoli no cat. ^^ >>, e deu aulas na Academia de Brera. Em outubro expôs Due Nudi che scendono le scale ballando il Boogie-Woogie em Nova York (Stein-Gladstone), Estados Unidos. Participou, em 1990, de retrospectiva na Fundació Joan Miró, em Barcelona, Espanha. Publicou Kunst wird wieder Kunst (aulas e conferências 1987-1990) em Berna (Gachnang) e em Bruxelas (Imschoot Ultgovers). Na retrospectiva realizada no Kunstmuseum Luzern, Cronos fechou o período de debate do "fim da forma". Em 1992, La nascita di Venere (Durand-Dessert, Paris); Documenta no 9 de Kassel. Portovenere foi instalada em um pequeno rio em Aalen (Platzverführung, Stuttgart). Em outubro expôs Colombo na retrospectiva do San Francisco Museum of Modern Art, Estados Unidos.


Exposições individuais

1995
Luciano Fabro, Portikus, Frankfurt, Alemanha; Luciano Fabri. Il giorno mi pesa sulla notte, Galeria Barbara Gladstone, Nova York, Estados Unidos.
1994
Sisifo, Galleria Michelline Szwaicer, Antuérpia, Bélgica; Museum für Gegenwartskunst, Basiléia, Suíça; Giardino all´italiana, Basiléia, Suíça; Luciano Fabro: Sisyphus, Museum Für Gegenwartskunst; Giardino all´italiana, Basiléia, PicassoPlatz, instalação permanente; Nido, Rost, instalação permanente; Bagnanti, Open-Air Museum of Sculpture, Antuérpia, Bélgica, instalação permanente; Fabroniopera, Luciano Fabro, Palazzo Fabroni, Pistoia, Italia.
1992
La naissance de Venus, Gallerie Liliane & Michel Durand-Dessert, Paris; San Francisco Museum of Modern Art, Estados Unidos.


Exposições coletivas

1995
Ars 95, Museum of Contemporary Art - Finnish National Gallery, Helsinque, Finlândia; Bonnefanten Museum, Maastric, Holanda; Collections Contemporaines, Centre Georges Pompidou, Paris, França; Italianische Metamorphose 1943-1968, Kunstmuseum Wolfsburg; Biennial Festival of Contemporary Art in Lyon, França.
1994
Affinità. Cinque artisti a S. Gimignano - Luciano Fabro, Janni Kounellis, Eliseo Mattiacci, Nunzio, Giulio Paolini, Palazzo Comunale. S. Gimignano, Itália; The Italian Metamorphosis, 1943-1968, Guggenheim Museum of New York, Estados Unidos; Toujours Moderne, Nouveau Musée, Institut d´Art Contemporain, Lyon, França; Prospect/Retrospect, Zeitgenössische Kunst aus der Sammlung des Kunstmuseums, Lucerna, Suíça; Terrae Motus Terrae Motus, Palazzo Reale de Caserta, Itália; La Colezione, Museo d´Arte Contemporanea, Castello di Rivoli, Itália; L´orizzonte: Da Chagall a Picasso, da Pollock a Cragg, principais obras do acervo, Stedelijk Museum de Amsterdã, Castello di Rivoli; Transitività dell´arte, Framart Studio, Nápoles, Itália; Co-habitazione, Palazzo Fabroni, Pistoia, Itália.
1993
Gravity & Grace. The changing condition of sculpture, 1965-75, Hayward Gallery, Londres, Inglaterra; De Aanloop I. The Running Start, Bonnefantenmuseum, Maastricht, Holanda; Punti Cardinali dell´Arte XLV Esposizione Internazionale D´Arte, Bienal de Veneza, Itália; Un´avventura internazionale. Torino e le arti 1950-1970, Castello di Rivoli, Turim, Itália; The Sublime Void, Koninklijk Museum, Antuérpia, Bélgica; Devant, Le Futur, Taejon Expo´93, Coréia do Sul; Three Artistic Generations in Contemporary Italy, Tel Aviv Museum of Art, Israel.