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I Have a Dream 1988. Colagem de vidro, 220x300 cm. Cole��o particular |
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Svend Wiig Hansen, pintor da condi��o humana |  |
| Por Allis Helleland
"Estamos vivendo uma era de infelicidade - roubaram nossas fantasias, sonhos e cren�as." (Wiig Hansen)
O homem e a condi��o humana existencial preocuparam o famoso artista dinamarqu�s Wiig Hansen durante toda a sua carreira. Sua vasta obra evidencia esse enfoque, qualquer que seja a linguagem escolhida: escultura, pintura ou artes gr�ficas. Seu trabalho se refere sempre ao ser humano, � crise do homem moderno e � sua batalha pela sobreviv�ncia contra todos os infort�nios.
Wiig Hansen nasceu em 1922 e cresceu no per�odo entre-guerras, ocasi�o em que o crescimento do fascismo na Europa, os massacres da Guerra Civil Espanhola e a amea�a de uma nova guerra mundial com o uso de armas que poderiam incapacitar a humanidade e destruir todo o globo pairavam sobre a Europa como uma sombra perversa. Enquanto isso, as filas dos desempregados e a fome continuavam a crescer.
Sentimentos de impot�ncia e medo do futuro eram comuns, e n�o � nenhuma surpresa que especula��es sobre o objetivo da vida - ou sua aus�ncia -, sobre a dura batalha di�ria pela sobreviv�ncia, sobre o decl�nio, desintegra��o e morte, sobre a aliena��o e isolamento do indiv�duo, sobre a dist�ncia, o vazio e o sil�ncio preocupassem o jovem Hansen e contribu�ssem para sua forma��o como artista. A destrui��o e os horrores da Segunda Guerra Mundial justificaram seus medos. E, a partir de ent�o, Hansen enfocou esses temas em sua arte - o imut�vel, os mutila��es, as mortes, o isolamento, os solit�rios, os que buscam algo, a espera, a batalha humana.
A intensidade da cren�a do p�s-guerra na habilidade de reconstru��o partindo das ru�nas, a devolu��o da ordem ao caos para construir um mundo novo e melhor, nunca contaminou Wiig Hansen. Com independ�ncia, ele se manteve distante dos ensinamentos da Academia de Arte e criou uma grande figura cl�ssica - Torso -, uma figura humana incompleta, sem membros nem cabe�a. Em uma tentativa de se afastar da heran�a cl�ssica e come�ar do zero, com elementos puros e n�o-contaminados, buscou inspira��o na arte asteca e criou M�e Terra, uma grande e pesada figura feminina em posi��o de parto - um s�mbolo da for�a da natureza. Seguindo o mesmo impulso, criou o grupo de esculturas Humanos na Praia, um monumento � pureza do homem que consiste de cinco figuras isoladas, passivas e � espera, como se fossem os primeiros seres humanos do mundo. |
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| A importante exposi��o fotogr�fica A Fam�lia do Homem, exibida em meados dos anos 50 em v�rios locais, exerceu profunda influ�ncia sobre Wiig Hansen. Eram 503 fotos de pessoas de pa�ses e culturas diferentes. O fator que o influenciou mais profundamente foi a apresenta��o e a revela��o da condi��o humana.
Emergir das sombras dos anos de guerra, por�m, foi dif�cil para ele. Em companhia de Jean-Paul Sartre e dos existencialistas, ele questionava a possibilidade de um mundo melhor e via a vida como uma situa��o absurda. Existe uma evidente associa��o entre o trabalho de Wiig Hansen e os de seu contempor�neo Samuel Beckett. A pe�a de Beckett "Esperando Godot", de 1953, refere-se pura e simplesmente � espera em um mundo vazio, mas tamb�m � v� esperan�a, sentimento que ningu�m pode retirar do ser humano. Em um palco quase vazio, dois vagabundos esperam Godot, o pequeno deus, que nunca aparece. O tempo e o espa�o ficam suspensos. O senhor e o escravo tamb�m est�o representados na pe�a, mostrando o ser humano atormentado, correndo em seu �mpeto de continuar, por�m sem senso de dire��o nem objetivo.
As pinturas de Wiig Hansen produzidas na segunda metade dos anos 50 - como Procurando, Esperando, Perdido, Refreado, Decadente e A Travessia Humana - expressam o mesmo universo que Beckett tentava revelar com palavras. Seres humanos se desintegrando, uma situa��o em que tudo o que � sup�rfluo foi retirado. Tratam-se de puras exist�ncias assexuadas, sem emo��es, que se movem, isoladas em si mesmas, incapazes de se comunicar entre si ou com o mundo � sua volta e que s�o cercadas pelo vazio e pelo sil�ncio. O tempo e o espa�o foram suspensos. As figuras est�o localizadas em um mundo vazio onde existe uma premoni��o do abismo. Mas sua batalha instintiva pela sobreviv�ncia os mant�m de p� e lhes d� uma vaga esperan�a de salva��o.
Em 1957, o ano em que Beckett escreveu Fim de Jogo, em que o homem � representado como material decadente e em ru�nas, Wiig Hansen viajou para a Gr�cia. N�o foram tanto as ru�nas da Antiguidade que o impressionaram, mas as ru�nas humanas, os inv�lidos da guerra - havia muitos deles na Gr�cia. Ele viu muitos homens sem pernas e bra�os, torturados e mutilados, mas que ainda tinham for�as para sobreviver e se arrastar, mancando, ou rastejar sobre seus bra�os, como fazem os animais. Em muitos desenhos e pinturas - como em O Mutilado e Figura de p� Figure - ele mostra seu fasc�nio pela for�a desses seres ca�dos. "Acredito que aqueles que vivem uma vida harmoniosa, sem oposi��es, n�o s�o, nem de longe, t�o fortes quanto os alquebrados. A vontade de viver e de crescer � muito mais vis�vel entre os alquebrados e mutilados." |
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| Apesar da consci�ncia que Wiig Hansen tinha da capacidade de sobreviv�ncia do homem, os lados obscuros da mente humana tornaram-se de fundamental import�ncia para ele. Estava obcecado por representar as for�as demon�acas localizadas nos subterr�neos da vida. Em pinturas como, por exemplo, Pessoas numa Paisagem Demon�aca, produzida para a Bienal de Veneza de 1964, o espa�o c�nico claramente constru�do cede lugar ao caos de formas e cores que se movem em c�rculos. Suas figuras humanas n�o est�o mais de p�, mas se projetam sobre os quatro membros, como animais, circulando, dominados por for�as animalescas e entregues a poderes superiores.
A d�vida e o medo dominam claramente a imag�tica de Wiig Hansen, assim como nos trabalhos de Goya. As pessoas que povoam seu universo s�o seres que sofrem e buscam, pessoas sem identidade, heran�a ou civiliza��o, deslocadas do espa�o e do tempo; s�o pessoas for�adas a conviver constantemente com o medo e a inseguran�a e a lutar como loucas para sobreviver em um mundo onde praticamente a �nica coisa que resta, e com a qual se pode contar, � a for�a inata do homem.
Wiig Hansen desviou sua aten��o do medo da bomba at�mica e de sua capacidade de destrui��o da humanidade nos anos 50 para o crescente medo de uma cat�strofe ambiental global nos anos 70. Pinturas como O Sol Assassinado, que integra as s�ries que ele pintou para uma apresenta��o na Igreja Nikolai, em Copenhague, e Os Gemidos da Terra, quadro que pintou quando estava em frente �s obras O Sol e Alma Mater, de Munch, no Hall C�vico do Munch Museum, representam universos est�reis surgidos depois da cat�strofe, com figuras humanas nuas, deformadas e em sofrimento, seres assexuados, com pernas e bra�os incompletos, sentados ou dobrados sobre si mesmos � beira de um abismo sob um c�u escuro e amea�ador, que n�o permite a entrada de nenhum raio de luz. Todas as figuras vivas est�o morrendo. A figura que representa a M�e Terra est� exausta, e d� � luz somente criaturas que se assemelham a fetos, seres invi�veis e sem futuro. Em A V�tima do Medo, tr�s desses human�ides deformados est�o sentados em uma paisagem desolada ao redor de um t�mulo aberto onde um quarto ser, que sucumbiu, est� sendo recolhido pelo horr�vel monstro negro do medo. O vermelho, o cinza, o branco ou o negro s�o press�gios de sangue, cad�veres e de um destino cruel. A esperan�a n�o existe. Essa � uma visualiza��o do Apocalipse.
Ao mesmo tempo em que criava essas depressivas imagens pict�ricas, Wiig Hansen trabalhava como escultor no �mbito de uma abordagem cl�ssica, produzindo figuras femininas grandes, sentadas ou deitadas, nas quais enfocava novamente a pureza, a for�a prim�ria do �tero feminino, uma catedral que � a porta de entrada para a vida e a fertilidade. Em contraste agudo com P�rtico para o Inferno, de Rodin, onde a luz da vida � extinta lentamente e � seguida pelo inferno, Portal do Amor, de Wiig Hansen, na grande porta de entrada de bronze do Royal Theatre de Copenhague, apresenta seres humanos t�o saturados de amor que s�o capazes de se mover livremente e sem esfor�o para cima, na dire��o da entrada, onde se tornam figuras alongadas e sem peso que flutuam no espa�o em dire��o � salva��o. A decora��o do foyer do teatro feita pelo artista � denominada Jornada para o Para�so; seu tema � a jornada de um homem em dire��o � salva��o. As figuras humanas tornam-se cada vez mais transparentes e sem peso, liberando-se da mat�ria e adquirindo formas que se assemelham a nuvens - puro esp�rito - � medida que encontram a luz divina. |
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| Wiig Hansen opera, portanto, em uma zona de sombras entre a vida e a morte. � compelido a desafiar repetidas vezes a mente e a alma. Enfoca sempre a solid�o irremedi�vel do ser humano. Para ele fica claro que o homem nasce e vive dolorosamente s�, apesar do casamento, dos filhos, dos amigos etc. O Homem - Este Animal Solit�rio � o t�tulo que o artista deu a uma de suas s�ries, que cont�m figuras grandes e fortes representadas em movimento, mas sempre sozinhas; elas n�o dan�am, amam ou lutam entre si.
Apenas o indiv�duo pode lutar contra os dem�nios internos e contra todas as condi��es existenciais externas. Essa convic��o est� expressa nos milhares de rostos cruamente representados por ele. Esses rostos muitas vezes parecem auto-retratos. O artista, nesses casos, est� sempre sozinho, no escuro, entregue � sua pr�pria sorte, aos seus medos e �s suas d�vidas. Ele tentou incansavelmente conhecer seu pr�prio ser, abrir sua alma, e em incont�veis varia��es registrou suas altera��es de humor, seus estados psicol�gicos, seu esp�rito de luta e resigna��o, devo��o, amor e alegria, e � capaz de imprimir � esfera particular uma relev�ncia universal.
Assim como Goya, seu antecessor, Wiig Hansen pinta rostos distorcidos e horrorizados, onde o medo e o desespero, a impot�ncia e a perda, a premoni��o do desastre e a morte surgem com for�a para chamar a aten��o sobre a nossa vaidade. � como se Wiig Hansen tivesse tomado para si todo o sofrimento da humanidade. Ele fala do medo opressivo, do espa�o fechado que � a mente, que muitas vezes amea�a esmag�-lo f�sica ou espiritualmente. Ele mesmo afirma esperar que a morte o alcance, atingir o patamar onde n�o h� mais responsabilidade e o ser humano torna-se livre, onde n�o h� paredes e onde se pode flutuar. Antes disso n�o h� libera��o poss�vel. Ele se refere, por�m, ao mesmo tempo, � resist�ncia e � esperan�a, sentimentos que o sustentam nos momentos dif�ceis e que lhe d�o capacidade para continuar.
Allis Helleland � diretor do Statens Museum of Modern Art |
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Depoimento do Artista, concedido a Henrik Sten Moller |  |
| Sou a ferida aberta que � suscet�vel.N�o tenho limites. O perigo est� precisamente nessa duplicidade. � essa suscetibilidade que abre caminho para a inspira��o.
Minha vida move-se em trilhas paralelas. Mas, pouco depois, estou em curso de colis�o. Pois a selvageria e a respeitabilidade n�o podem encontrar-se.
Sou muitas pessoas diferentes. N�o tenho defesa contra o universo de pessoas que entram em mim. Mas vivo com o sonho e a esperan�a de fazer tudo aquilo que me delicia. Como todo mundo, experimento a fragr�ncia, a paix�o er�tica que tudo alcan�a.
At� a Cria��o. Estar presente � Cria��o. Estou em seu centro, com Deus e o Diabo � minha volta, com equil�brio de poder.
Os amigos morrem. Est� ficando tarde. Logo, talvez, a Morte tamb�m venha apertar a minha m�o. � agora. Estou vivendo isso agora. N�o devemos ter medo dessa honestidade. Devemos ter for�as para confront�-la diretamente. Estamos aqui agora e depois teremos ido embora. Seria bom se tiv�ssemos um tempo um pouco mais longo.
Mas estamos intensamente presentes e, mais tarde, de repente, n�o estamos mais. Muitas vezes me senti t�o completamente perdido que a vida e a alegria se foram.
A ang�stia tem sido minha parceira. A ang�stia f�sica chegou a destruir o mundo que me cercava. H� muito a vivenciar - mas a ang�stia n�o tem permitido que isso ocorra.
Existe essa ang�stia quando estamos no teatro, e tudo isso entra no nosso corpo e depois temos de ir embora. Ficamos com medo e vamos embora. Dever�amos ser sinceros e falar sobre isso.
Somos demasiadamente reservados. Tente n�o dizer nada. Est� tudo bem, dizemos, quando na realidade est� tudo muito mal e tomamos a maior dist�ncia poss�vel.
Vejo tudo em forma de imagens. J� era assim quando era garoto. � por isso que me interessei tarde por garotas. Via sua presen�a figurativa constantemente. Minha inf�ncia foi plena de experi�ncias inacredit�veis. Participei e ao mesmo tempo n�o tomei parte delas. No entanto, vi tudo. Estava envolvido, mas era como se estivesse olhando de fora. De novo essa estranha duplicidade. Ativo, mas tamb�m sempre registrando tudo. |
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| Talvez eu seja um tanto covarde. N�o interfiro fisicamente, mas noto exatamente o que est� acontecendo. E preservo essa experi�ncia.
Cada pessoa � uma hist�ria. Todos carregamos um livro n�o-escrito em volta de n�s. Podemos escrev�-lo. Todas as coisas s�o encontradas em tudo. Como pessoas, somos semelhantes uns aos outros. O maior drama passa por voc� sem que voc� o veja.
Como jovem, passei por tudo e esqueci tudo novamente. Que bom.
Voc� poderia dizer que tenho uma certa intelig�ncia. Mas n�o sou um intelectual. Hoje voc� precisa saber tudo. Mas todas as novas cria��es surgem de erros anteriores. N�o posso ter a postura que todos assumem. Preciso experimentar todas as outras possibilidades. Posso sonhar que estou longe, que desapareci, que ningu�m sabe onde estou. Posso optar pelo caminho da paix�o. Encontrar a paz e a quietude na dire��o daquilo que denominarei concentra��o.
Se uma pessoa � suficientemente privilegiada para vivenciar coisas, ela pode descobrir algo que est� escondido. Pense em tudo que � voltado para a morte dentro de n�s.
H� muitos investimentos. Apaixono-me por todos - at� certo ponto. Porque agora preciso devotar minhas energias ao trabalho. Em um grande n�mero de aspectos, amar pode ser muito cansativo. No entanto, acontece. Tamb�m investimos quando perseguimos nossos desejos, � claro. � uma batalha que, na minha opini�o, � positiva. N�o acho que resist�ncias ou cr�ticas negativas vindas de fora indiquem fal�ncia.
A vida � passada entre as pessoas e talvez conhe�amos melhor uma pessoa que n�o conhecemos do que aqueles a quem conhecemos. � necess�ria uma certa dose de concentra��o quando conhecemos uma pessoa nova. � nesse ponto que surge a distor��o, o aspecto criativo. Ele se evidencia de v�rios modos quando estamos nesse tipo de situa��o. Diria quase que criamos algu�m quando voltamos nossa aten��o ao outro.
� necess�rio que nos revelemos, o que � o contr�rio de ficarmos fechados em n�s mesmos.
Em outras palavras, sou um dos artistas de Deus. Podemos fazer m�gica. N�o podemos encontrar outras pessoas sem que algo aconte�a. Quando vemos algo decisivo, apagamo-nos, embora recebamos uma exuberante alegria de viver. Tamb�m podemos influenciar as pessoas, irradiar algo em sua dire��o, dar-lhes um poder at� ent�o desconhecido, assim como uma mo�a que foi minha modelo e em cujo corpo tracei a trilha com as m�os cheias de barro. Ela disse: "Voc� est� deixando marcas".
N�o sou naturalista. Construo a partir do que vejo na pr�pria experi�ncia. Que sou capaz de encontrar em qualquer lugar. Que posso levar para casa para continuar o trabalho. Poder�amos dizer que estou constantemente ca�ando. Posso transformar qualquer coisa em algo grande e universal. Isso pode ser feito em qualquer lugar, por qualquer pessoa, de qualquer modo. Basta que a vis�o e a filosofia estejam presentes. Fazer filosofia sobre as coisas? Sim, a filosofia atualmente incorporou grande parte da arte. A filosofia substituiu grande parte do campo pict�rico. At� mesmo uma pintura ruim pode chamar aten��o se contiver bastante verborragia. � essa a arma daquele que n�o tem talento, a respons�vel por fazer com que o nada cres�a no interior de tudo. Essa filosofia n�o me interessa.
Uma pessoa tem somente uma vida. N�o h� reciclagem poss�vel. Quando voc� me diz que sou uma pessoa afetuosa - e eu sinto, bem, que sou e que n�o sou, como voc� -, a� fico angustiado. Da mesma maneira que n�o posso falar sobre minha felicidade por medo de perd�-la. Posso ficar com ci�me das pessoas que aspiram pelo verdadeiro amor durante toda a sua vida. H� uma busca disso, dessa id�lica situa��o, mas, em geral, ela tamb�m � uma situa��o repulsiva.
Existe tamb�m o problema decorrente do fato de que querer n�o traz satisfa��o. � a grande dramaticidade contida no pequeno incidente. Em cada vida humana. N�s completamos o c�rculo. Tanto ao cuidar de outro ser humano como ao escondermos nosso sentimento.
J� nascemos com culpa. N�o conseguimos evitar a culpa nem por um dia sequer. � por esse motivo que dever�amos desculpar a n�s mesmos. Voc� pode magoar sem ter consci�ncia disso - espontaneamente. H� algum tempo, o amanh� seria o dia prometido e maravilhoso da humanidade. Ela s� experimentou o primeiro dia. Hoje, j� conhecemos tamb�m o d�cimo dia. N�o podemos lidar com isso. Isso acaba com toda nossa for�a. A� est� o vazio. Sabemos da nossa senten�a de morte. E o dia em que n�o nos sentirmos mais como crian�as - � este o dia em que morremos.
Wiig Hansen escreveu o seguinte poema: "Era eu um prisioneiro ou objeto da minha imagina��o, ou o que seria eu, ser� que seria mesmo algo, seria eu o artista que tinha arrancado sua pr�pria pele, e deixado sua alma, sua mente, sair de seu corpo, seria eu aquele ser sobre quem voc�, ao me ver, diria: l� est� ele, aquele tolo." |
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Wiig Hansen por Ib Munkvad |  |
| A liga��o entre o g�nio e os desvios psicol�gicos foi debatida, sendo objeto de teses durante mais de 150 anos. Em geral, esse � um mito que afirma que h� muitas pessoas com desvios, entre os quais podemos encontrar alguns g�nios, enquanto entre eles h� poucos verdadeiros g�nios que n�o s�o portadores de desordens mentais no sentido psicol�gico da palavra.
� o trabalho o que realmente conta, de modo que n�o � importante sabermos se Soren Kierkegaard era man�aco-depressivo ou uma personalidade de tipo esquizofr�nico, ou se H.C. Andersen tinha uma disposi��o neur�tica ou outra desordem qualquer, ou se Van Gogh sofria de alguma doen�a mental.
Tendo afirmado isso, devo dizer que pode ser �tiltentar analisar o que um artista pensou e sentiu, apesar de o resultado de tal esfor�o ser fatalmente uma conclus�o subjetiva.
Chega-se ao conceito de que ang�stia e arte est�o intimamente ligadas pelo fato de a ang�stia ser um sentimento presente em muitas pessoas, incluindo os artistas. Ao contr�rio dos outros, os artistas possuem a capacidade de expressar essa emo��o humana t�o comum com maior profundidade e for�a.
Existem refer�ncias � representa��o pict�rica da ang�stia, sendo o purgat�rio e o inferno vistos como realidades extremamente concretas. Essa ang�stia � vivenciada de maneira totalmente diferente nos trabalhos do holand�s Hieronymus Bosch. Suas pinturas abordam vis�es de pesadelo e talvez experi�ncias alucin�genas, onde diabos, vampiros, pessoas com formas de animais e animais com formas humanas circulam em uma narrativa ca�tica. A caracter�stica geral dos trabalhos � de ansiedade, esta claramente manifesta em todos os seus detalhes.
Se voltarmos nossa aten��o para Guernica, de Picasso - na �poca seu mais importante trabalho -, que agora pode ser vista em Madri, poder�amos dizer que se trata de uma evidente representa��o daquilo que denominamos ang�stia e que alguns psic�logos denominam medo. Essa � a verdadeira causa da ang�stia, o sofrimento concreto que temos � nossa frente.
Em alguns casos uma solid�o extrema e a ang�stia ent�o interligadas. A solid�o pode ser um fator desej�vel; por�m, em situa��es extremas, pode resultar em ang�stia, assim como a ang�stia pode conduzir � solid�o.
O Grito, de Edward Munch, pode ser visto como uma clara manifesta��o de angst (ansiedade) - uma ilustra��o de ansiedade sem limites. Todos sabem que Munch isolava-se periodicamente, sem manter contato com ningu�m.
A ansiedade � um fen�meno psicol�gico comum que, em doses apropriadas, determina o desenvolvimento normal de uma pessoa. Soren Kierkegaard escreve a respeito: "Por outro lado, trata-se de uma aventura na qual cada pessoa precisa sobreviver, aprender a conviver com a ansiedade, para n�o ficar perdida e deprimida por nunca ter ficado ansiosa nem por ter sido dominada pela ansiedade; portanto, aquele que aprende a ansiedade bem, aprendeu aquilo que � mais importante". Outra cita��o de Kierkegaard: "Quanto menor for o esp�rito, menor o medo".
Os trabalhos de Wiig Hansen podem ser vistos no �mbito dessa perspectiva. Durante um longo per�odo, a arte internacional se expressou por meio de uma linguagem denominada 'expressionismo abstrato', na qual o homem est� ausente. Por�m, na arte de Wiig Hansen, as pessoas sempre estiveram no centro dos trabalhos.
Ib Munkvad � psiquiatra |
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Cronologia
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| Exposi��es
1994 Rufino Tamayo Museum, Cidade do M�xico; Museo de Monterrey, M�xico. 1993 Inferno, Royal Museum of Fine Arts, Copenhague, Dinamarca. 1990 Royal Museum of Fine Arts, Copenhague, Dinamarca; Galeria Zacheta, Vars�via, Pol�nia. 1989 Stadtmuseum, D�sseldorf, Alemanha; Aarhus Kunstmuseum, Aarhus, Dinamarca. 1988 Lunden, Horsens Kunstmuseum, Horsens, Dinamarca; Hjorring Kunstmuseum, Hjorring, Dinamarca; Esbjerg Art Society Collection, Esbjerg, Dinamarca. 1987 The Biennial, Rostock, Alemanha; Salon de Mai, Paris, Fran�a. 1986 FIAC 86, Gallery Torso, Paris, Fran�a; Salon de Mai, Paris, Fran�a; The Danish Show, Yorkshire Sculpture Park, Cartwright, Canad�. 1985 FIAC 85, Gallery Torso, Paris, Fran�a. 1984 The Nicolai Church, Copenhague, Dinamarca; FIAC 84, Gallery Torso, Paris, Fran�a; Bienal Internacional de S�o Paulo, Brasil. 1983 Scandinavia Today, Nova York e Los Angeles, Estados Unidos. 1982 Sonderjyllands Kunstmuseum, Tonder, Dinamarca. 1981 The Munch Museum, Oslo, Noruega; The Gothenburg Konsthall, Gotemburgo, Su�cia; The International Print Exhibition, Baden-Baden, Alemanha. 1980 Royal Print Collection; Royal Museum of Fine Arts, Copenhague, Dinamarca. 1978 Funda��o Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal; Nordjyllands Kunstmuseum, Aalborg, Dinamarca. 1976 Esbjerg Art Society Collection, Esbjerg, Dinamarca. 1972 Louisiana, Humlebaek, Dinamarca; Bienal Internacional de S�o Paulo, Brasil. 1969 Esbjerg Art Society Collection, Esbjerg, Dinamarca. 1967 Kunstverein, Hannover, Alemanha. 1965 Kunstnernes Hus, Oslo, Noruega. 1964 Biennale di Venezia, Veneza, It�lia. 1963 The Gothenburg Konsthall, Gotemburgo, Su�cia. 1962 Malm� Museum; Bienal de Lugano, Su��a. 1961 La Maison Danoise, Paris, Fran�a. 1954 Biennale di Venezia, Veneza, It�lia; Biennial of Drawings, Lugano, Su��a. 1946 The Artists Autumn Exhibition, Charlottenborg, Copenhague, Dinamarca.
Pr�mios
1960 Guggenhein International Award, St. Louis University, Washington, Estados Unidos. 1956 Diploma de Honra, Bienal Grafiki Krak�w, Pol�nia. | |
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