.

Reticularea
1977. Arame de a�o inoxid�vel, 200x270 cm. Foto: Ricardo Armas





Fazer e Desfazer no Espa�o


Por Roberto Guevara

Contraponto do vazio no qual eu creio
Ren� Char

Gertrudis Goldschmidt � para n�s, na arte, e entre todos aqueles que tiveram o privil�gio de conhec�-la, simplesmente Gego, um nome carregado de espa�os e linhas. Venezuelana, nascida em 1912 em Hamburgo, chega a Caracas em 1939, fugindo da asfixia e da sombra aterrorizante do nazismo, um ano apenas ap�s se graduar arquiteta na Universidade de Stuttgart. � de se presumir que, na sua forma��o, tenham ficado outras marcas daquelas d�cadas anteriores de t�o excepcional impulso renovador. J� se tinham acumulado a��es como as iniciativas depuradoras do Grupo de Stijl (1915), fundado por Mondrian e van Doesburg, no qual se estabelem as rela��es entre o neoplasticismo e a metaf�sica. A Bauhaus abre por duas d�cadas o maior laborat�rio criador do s�culo, praticamente em todos os sentidos. Por faltar um apoio filos�fico ou te�rico suficientemente convincente e universal, o grupo Dad� abre as portas, mediante a ruptura com a sociedade e seus valores, e d� um passo no sentido do que hoje poder�amos chamar de novos meios, ou maneiras alternativas de criar na dissid�ncia e � margem dos meios tradicionais. Mais al�m de qualquer postulado dogm�tico, Mondrian � a chave para se enxergar al�m da apar�ncia natural; lembrando que quando come�ava a pintar uma flor, via s� a sua estrutura. Busca "a realidade pura", "uma subst�ncia mais universal". E chega a concluir: "Se n�o podemos liberar a n�s mesmos, podemos pelo menos liberar a nossa vis�o".

Todo o peso de um continente saturado, convulsionado, instado dramaticamente pela barb�rie da guerra, parece deixar lugar para um sentimento que s� a Am�rica poderia dar a Gego: o descobrimento de um outro espa�o, fora do comum e livre, junto ao sentimento de n�o estar no fim de uma aventura, mas justamente no come�o: nessas novas terras, tudo est� por ser feito. Assim compreendemos como Gego se envolveu rapidamente numa atividade febril. Alterna profiss�es, tarefas, pequenas e grandes empreitadas criadoras. Era o in�cio da d�cada de 50, Gego inicia sua obra. Transcende a outros em seu af� de compartilhar os vastos horizontes. Exerce uma doc�ncia luminosa. Converte-se em Gego, uma tecedora de urdiduras, em que o homem, junto com um novo sentido de espa�o, descobre que j� n�o pode estar fora da obra.

Recordo uma obra inusitada, talvez �nica em toda a trajet�ria de Gego, mas muito oportuna para come�ar uma an�lise do seu trabalho. Trata-se de um livro, totalmente composto por folhas em branco e moldado no interior, de modo a fazer e desfazer conex�es, volumes que aparecem e desaparecem entre as m�os do 'leitor' assombrado com aquele pequeno prod�gio que podia 'materializar' e 'desmaterializar' uma vis�o cada vez diferente do real percebido. Numa vers�o radical, podemos nos lembrar do ins�lito Merzbau de Hannover (1923), de Kurt Schwitters, uma tentativa sem paralelo, destru�da pelo horror b�lico, que no entanto recuperamos, com recorda��es e fotografias, como um feito para pensar o s�culo fora dos limites que cada gera��o, movimento ou momento podem provocar. Gego, com seu livro digno de um poeta em estado de gra�a depurador e extremo, estabelece as premissas para toda a busca da liberta��o, que resgata daquela experi�ncia, s� um elemento codific�vel: a linha, formada pela luz, nas margens dos volumes inst�veis e furtivos.

Fazer Aparecer o Espa�o

A linha � o elemento essencial na obra de Gego, tanto no desenho quanto na obra gr�fica, como na escultura e sua expans�o necess�ria, a ambienta��o e as grandes obras de escala c�vica. Algumas simples linhas sobre o papel, ou sua impress�o sem tinta nem cor, t�m uma s� fun��o, como os outros meios: criar estruturas que tomam o espa�o, modulam-no, organizam e lhe d�o mobilidade, ritmo, tens�o, ordem, ou ao contr�rio, ruptura e abertura para fora, vazio ou indetermina��o. De tal modo que a obra parece modular essas estruturas que pretendem 'fazer aparecer' o espa�o vazio, manej�-lo como condi��o imprescind�vel para modificar o plano, revert�-lo em elementos, formar uma nova capacidade din�mica.

Se tomarmos, por exemplo, a primeira condi��o da escultura em Gego (1957-72), encontraremos os sistemas estruturais baseados na modula��o de linhas paralelas situadas num plano, que evolueam no espa�o, para permanecer no final como espa�o percorrido, movimento, varia��o e energia que formam volumes virtuais, um acontecimento 'congelado' no ar. As solu��es s�o extremamente variadas. Pode haver 'faixas' de linhas que se movem em espiral, ou podem-se armar desenvolvimentos de planos de linhas cortados em quadrados, articulados na vertical, cuja altura varia de alguns cent�metros a alguns metros. Tamb�m podem ser faixas de linhas met�licas paralelas, cujo desenvolvimento no espa�o tem forte �nfase direcional, anulando �s vezes o sentido convencional de localiza��o. Essa investiga��o constitui a base para o trabalho de grandes propor��es, para obras t�o especiais como a grande coluna de dez metros de altura, para um banco de Caracas, na qual as estruturas de planos quadrados se articulam com uma din�mica pr�pria, que inclui os efeitos visuais do movimento e a transmuta��o. O mesmo sucede com outra obra, Cinco Pantallas (1968-71), realizada para o Instituto de Investigaciones Cient�ficas (IVIC) e colocada na intemp�rie: quando nos movemos ao redor dessa pe�a de quase quatro metros de comprimento, ficamos sujeitos a suas constantes mudan�as e modifica��es, que alteram inclusive a realidade da estrutura f�sica e a tornam ligeira, inef�vel, vari�vel.

Aos sistemas de linhas paralelas seguem outros de linhas verticais de resolu��o mais livre. S�o principalmente os Chorros (a partir de 1970 e 1971), nas quais as estruturas s�o mais flex�veis, permitem evolu��es e podem chegar a convidar a serem tocadas e relativamente manipuladas. Outros sistemas baseados na estrutura triangular s�o prop�cios para novas aproxima��es, as Flechas e Reticulareas, esta �ltima uma proposi��o que tamb�m adota a alternativa de uma base em quadrados. Junto com o trabalho antes realizado de gravuras e desenhos, agora as obras prescindem do suporte e se convertem numa culminante vers�o das estruturas no ar, as Reticulareas e os Dibujos sin Papel.

O Homem e os Espa�os dentro do Espa�o

Quando os sistemas estruturais deixam as formas est�veis para forjar uma admir�vel seq��ncia de esculturas, em geral met�licas e escuras, que parecem se modificar sobre o suporte invis�vel do espa�o; quando j� o recurso do suporte fixo ficou para tr�s, surgem as estruturas liberadas, flex�veis, que crescem espontaneamente na indetermina��o do exterior e que o visitante pode percorrer por dentro, em movimentos livres, tentando inventar ou descobrir rela��es, verificando por seus sentidos como as formas virtuais se enchem de outras e mais outras, num p�riplo ilimitado, em que o real e o poss�vel estabelecem uma aut�ntica rela��o de prazer, jogo e inven��o. S�o as reticul�reas, cuja vers�o historicamente mais importante foi a instala��o que esteve no Museu de Bellas Artes de Caracas (1969) e em exposi��es como The Responsive Eye (MOMA, Nova York) e em Art in Latin America (Yale University). Mais tarde recebe o Pr�mio Nacional de Artes Pl�sticas da Venezuela e � sua Reticularea � dado um espa�o permanente na Galer�a de Arte Nacional, Caracas.

Gego � uma criadora objetiva, trabalha os materiais simples e pouco ostentosos, como o arame, o a�o inoxid�vel, as cordas e outros igualmente modestos, como parte de um of�cio cotidiano. Stanton Catlin, diretor do Center for International Relations, considera esse trabalho uma express�o sens�vel do 'construtivismo org�nico' e define a artista como incans�vel 'aranha tecedora' de redes que aprisionam a realidade e colocam o homem dentro delas, com novas perspectivas e objetivos. Gego se move durante toda a sua trajet�ria entre duas coordenadas, uma delas a inquestion�vel necessidade de ordem e sentido consciente da constru��o; a outra, a necessidade de anular com a obra a dist�ncia entre o autor e o espectador, de situar ambos na mesma condi��o participativa e oferecer a obra como um processo aberto. Obras como as Reticulareas e outras afins s�o constitu�das por finas linhas articuladas de varinhas ou pe�as de arame e outros materiais, �s vezes sobras ou outras pe�as industriais que materialmente 'flutuam no espa�o' e se situam nele como um novo e definitivo suporte. � a grande diferen�a. Os volumes virtuais das Reticulareas e suas infinitas possibilidades de recomposi��o por parte do espectador; os Dibujos sin Papel, que se manifestam diante dos olhos como estruturas suspensas em um vazio indeterminado, s�o proposi��es que manejam a obra livremente, poder-se-ia dizer que n�o terminadas, se aceitamos que somos n�s que devemos situar, relacionar, modificar, crescer...

Assim, podemos recordar as palavras do fil�sofo mais concludente do s�culo, o homem que reduziu a hist�ria da filosofia a um 'campo de ru�nas'. Para Heidegger, "a linguagem � a moradia do ser, e sob seu abrigo habita o homem". Nosso ser pode penetrar no vazio sustentador da muta��o das obras de Gego, permanecer com elas em sua transi��o de mat�ria � desmaterializa��o, de uma op��o a outra e conservar a unidade do seu processo. Ser com elas processo. A escritora e cr�tica de arte Hanni Ossot, em seu estudo sobre Gego (Museo de Arte Contempor�neo de Caracas, 1977), nos proporciona outra cita��o de Heidegger que pode esclarecer as nossas palavras: "O dizer projetante � aquele que, na prepara��o do diz�vel, traz ao mundo o indiz�vel como tal ao mesmo tempo".

Recordo com emo��o quando vi pela primeira vez essas obras mutantes e suspensas na percep��o at� que invent�ssemos um lugar para situ�-las. Escrevi ent�o: "O desenho de linhas saltou para o espa�o real, para o ambiente, para rodear o espectador em uma nova experi�ncia".

Como Calder, poeta do movimento abstrato, a obra de Gego lembra de outra maneira instintiva, a natureza. Ela batiza as suas obras de modo significativo, dando-lhes nomes como Chorros, Nubes, Troncos e outros semelhantes. Com sua habitual perspic�cia, Marta Traba declarou a Maritza Jim�rnez em Caracas (El Universal, 8 de agosto de 1980): Gego "n�o se relaciona com a imagem da natureza, e sim com sentidos e estruturas profundas..."

Entrar no espa�o com Gego � outorgar uma corporeidade inst�vel, uma coloca��o, um deslocamento e seguir a forte viol�ncia das mudan�as que produz uma obra que se p�e em execu��o e se modifica sucessivamente. Dir�amos, como o poeta franc�s Ren� Char que se trata de um "contraponto do vazio no qual eu creio".

Sobre Gego

"Os espa�os de Gego, os arames de Gego s�o linhas que formam espa�os. Com Reticulareas, Gego n�o constr�i nenhuma arquitetura, n�o fecha espa�os. Seus espa�os s�o uma met�fora livre, aberta e m�vel, para a ante-sala do sentir e pensar, para os elementos do espa�o vital."
Dietrich Mahlow, 1986

"Quando vi esses trabalhos pela primeira vez, senti interiormente uma necessidade de tempo: para ver o que via, queria apreciar lentamente todas as tens�es e conflitos que engendravam os seus desenhos. Compreendi que eles eram parte de imensas estruturas que se agitam na necessidade de se dissolver a si mesmas, para reencontrar-se com uma rela��o de sensa��es visuais."
Eugenio Espinoza, pesquisador de arte, Venezuela

"Em Gego o conceito de arte n�o pode se reduzir a esquemas precisos, porque vai al�m e inclusive os contradiz. Seu planejamento � o desafio estrutural que se manifesta em inven��es sens�veis."
Ruth Auerbach, curadora.

"T�cnica e ci�ncia s�o para ela bons servidores, leais ve�culos expressivos: trata-se de uma obra de arte com escala de valores, cuja prioridade � a de preservar e exaltar a especificidade da mensagem art�stica. Implantada em Caracas, a obra de Gego tem uma dimens�o especial: converte-se em sin�nimo de repouso e claridade, como os nen�fares tardios de Monet, como as �ltimas paisagens de Turner: a paisagem com lago, o lugar que fica fora da disputa."
Marta Traba, 1977.




































































Cronologia

Notas para uma Breve Biografia
Por Roberto Guevara

� dif�cil negar que Gego nasceu na Venezuela, embora o registro diga que foi em Hamburgo (1912) e que se graduou em arquitetura na Universidade T�cnica de Stuttgart (1938). Desde que chegou a Caracas em 1939 come�ou a vibrar numa determinada luz e na possibilidade de um espa�o desmesurado e novo.

Gego progrediu com sua obra: inventando-a, deixando-a crescer e ajudando a outros, muitos outros, a crescer no desenfrear da imagina��o que � toda obra de arte. Aqui amarrou sua vida, e aceitou a necessidade de descobrir todos os dias o sentido de viver. Como diz o prov�rbio chin�s: "hoje � o futuro em que ontem pens�vamos". Come�ou de diversas formas: fundou uma f�brica de lumin�rias e m�veis, trabalhou como desenhista para arquitetos. Finalmente liberou uma obra baseada na aventura da linha no espa�o. Em 1955 fez sua primeira individual na Galeria Gurlitt, em Munique. No ano seguinte, converte o papel dos planos em volumes, a partir da linha. Chegam logo as formas tridimensionais paralelas e curvadas, suas primeiras esculturas em a�o inoxid�vel, ferro e alum�nio. Exp�e na galeria do grupo Sardio em Caracas e outras da capital. Ao mesmo tempo, come�a a dar aulas na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidad Central de Venezuela e na Escuela de Artes Pl�sticas Crist�bal Rojas de Caracas.

Uma viagem aos Estados Unidos, em 1959, pa�s onde residiu por um ano, est� carregada de grandes realiza��es. Faz sua escultura mais importante dessa �poca, Sphere, atualmente na cole��o do Museu de Arte Moderna de Nova York. Participa de The Responsive Eye, uma coletiva de transcend�ncia hist�rica, e dois filmes s�o realizados sobre a sua obra: Hierro Vivo, de Carlos Cruz Diez, e Metal Alive Sphere, do cineasta Richard Rayner.

Quando do seu regresso � Venezuela, dedica-se ao trabalho docente (1960-67). Exp�e no Museo de Bellas Artes de Caracas (1961) e realiza estruturas a�reas dentro de espa�os interiores do Banco Industrial de Venezuela. Primeira de uma s�rie de importantes obras realizadas em colabora��o com a arquitetura, tais como a fachada do edif�cio de oito andares para o Instituto Nacional de Cooperaci�n Educativa (INCE) e mais tarde no edif�cio Cediaz, ambas em conjunto com Gerd Leufert, no Instituto Venezuelano de Investigaciones Cient�ficas (IVIC) e na �rea exterior do Museo de Arte Contempor�neo de Caracas Sofia Imber, no Parque Central, entre outras.

Novas viagens � Europa e aos Estados Unidos ampliam os seus conhecimentos e experi�ncia. Durante um ano trabalha em The Tamarind Lithography Workshop (1966) de Los Angeles, Calif�rnia, onde mais uma vez mostra em litografias e gravuras a aventura da linha no espa�o.

Em 1968 come�a a trabalhar sua grande proposta de um sistema estrutural, baseado em organiza��es de linhas em tri�ngulos e quadrados que abordam o espa�o com grande liberdade de organiza��o. Aqui surgem posteriormente as Reticulareas, um esquema para apresentar no espa�o uma s�rie de volumes virtuais, transparentes, que se abrem com liberdade no espa�o e terminam por ser, finalmente, a subst�ncia do mesmo.

Essas Reticulareas, originalmente denominadas assim pelo cr�tico de arte Roberto Guevara, foram apresentadas no Museo de Bellas Artes de Caracas e no Center for International Relations de Nova York (1969).

Stanton Catlin, diretor dessa �ltima institui��o, destaca o trabalho de Gego, que coloca dentro da tradi��o denominada de 'construtivismo org�nico'. Al�m disso, exp�e em Art of Latin America, na Universidade de Yale.

A partir de 1970, as articula��es dos arames em forma de redes ou de organiza��es verticais, conduzem a novas explora��es. Mesmo quando a linguagem � definitivamente abstrata, como no caso de Alexander Calder, as estruturas de Gego sugerem sentidos da natureza em suas estruturas din�micas, tais como Nubes, Chorros e Troncos. Seu elemento essencial, a linha, combina-se perfeitamente com os materiais modestos como o arame e o a�o inoxid�vel.

Precisamente a Reticul�rea exposta no Sal�o de Artes de Venezuela (1976) foi premiada e passou a fazer parte da cole��o da Galer�a de Arte Nacional. � um ambiente inteiramente desenhado por Gego, no qual as redes de arame entrela�ado preenchem praticamente todo o espa�o de uma sala, na qual os espectadores podem transitar e forjar todas as vis�es que a obra permite de forma ilimitada.

Um pouco mais tarde recebe o Pr�mio Nacional de Artes Pl�sticas (1979) pelo conjunto de seu trabalho. Desde 1981, La Reticularea est� exposta para o p�blico numa sala permanente da Galer�a de Arte Nacional de Caracas.

A partir de ent�o sua obra, sempre baseada na linha, feita com sutileza em meios t�o diferentes como o gr�fico, o desenho e a escultura, se expande-se por diversas proposi��es que t�m em comum a capacidade de dinamizar as estruturas em volumes virtuais, em tramas, ambienta��es e instala��es diversas.

Os Dibujos sin Papel expostos em 1984 no Museo de Bellas Artes de Caracas s�o um exemplo da sua capacidade para desenhar no ar e criar por assim dizer espa�os no espa�o.

A partir da d�cada de 70, Gego planeja obras que s�o maneiras de se entrar no espa�o. Lembra um livro de folhas todas em branco, moldado internamente, de onde os espa�os vazios feitos no papel e em material liso, n�tido, estabelecem uma rela��o espacial de materializa��o e desmaterializa��o que surge � medida que o espectador passa as folhas e abre o jogo do contraponto de espa�os/formas, que aparecem e desaparecem.

� surpreendente como se pode dizer que toda a sua obra � um desenvolvimento ou se desprende daquele livro de um poeta construtivo. Incans�vel, Gego trabalha em diferentes proposi��es, inclusive em suas teceduras, tramas que gera com tiras de papel sujeitas ao movimento e � temporalidade. Gego morre em 1994. E, para n�o morrer, nos deixa suas tramas de arames finos num espa�o inesgot�vel.