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Tabac
1984. Acr�lica e pastel oleoso s/ tela, 219x173 cm. Cole��o particular. Foto: Cortesia de Galerie Bruno Bischofberger, Zurique





Realeza, Hero�smo e as Ruas: A Arte de Jean-Michel Basquiat


Por Robert Farris Thompson


"Meu fogo pode fazer-me atravessar a �gua g�lida."
Francisco de Quevedo, Amor constante mas all� de la muerte (1)

Alguns dizem que Nova York foi fundada como um ponto intermedi�rio no caminho para as �ndias Ocidentais. Nada mudou. Na d�cada de 50 a cidade se embalava ao ritmo de um mambo afro-cubano (2). Por volta da d�cada de 70 surgiu uma nova m�sica para dan�ar que combinava a nova-iorquina e a indiana ocidental. Era feita a partir do mambo, com mistura de trombones de jazz. Os latinos a chamavam de salsa, e suas vibra��es foram registradas, como se num sism�grafo, em 1972:

"V�rias partes de Manhattan t�m (...) um toque tropical (...). Os equatorianos est�o nas ruas de Sunnyside; os argentinos l�em La Prensa no IRT de Flushing. Congas [s�o tocadas] na Concourse." (3)

A afro-latiniza��o de Nova York na d�cada de 70 n�o era apenas vis�vel. Era um aug�rio:

"Aqueles que ficaram perto das ruas [afro-latinas] (...) preservaram as sementes de algo aut�ntico dentro de si mesmos. Na sua recusa de se comportarem como europeus, na sua luta para arrancar alguma ess�ncia tropical dos obst�culos duros e envelhecidos da cidade, constru�ram as funda��es do que parece estar destinado a se tornar a pr�xima grande subcultura [sic] de Nova York." (4)

Entre 1977 e 1980, essa 'pr�xima grande cultura' tomou for�a - o 'hip hop': break dance, electric boogie, graffiti, rap (5). Os homens e mulheres do 'hip-hop' eram caribenhos e negros continentais angl�fonos, bem como porto-riquenhos nova-iorquinos. Isso refletia os novos padr�es de imigra��o desde 1966. Al�m disso, a presen�a de haitianos aumentou a ponto de, em 1985, as grandes bandas de Porto Pr�ncipe trabalharem regularmente nos sal�es de festas do Queens e Brooklyn.

Um entrecruzamento de influ�ncias africanas oriundas das ilhas iluminava Nova York agora: afro-cubanos, afro-haitianos, afro-jamaicanos, afro-dominicanos e afro-porto-riquenhos. A �frica crioula, sob o dom�nio de cinco grupos, intensificando as influ�ncias anteriores de Garvey, Parker, Coltrane e Malcolm X.

Foi nessa Nova York que Jean-Michel Basquiat nasceu, em 22 de dezembro de 1960. De pai haitiano e m�e porto-riquenha, ele fazia parte do processo.

� claro que Manhattan � e sempre ser� a ilha do Carnegie Hall, Lincoln Center, Wall Street e Rockefeller Center. No entanto, de um lado e de outro desses basti�es do poder branco, novos focos surgiram. No Brooklyn, Queens, Lower East Side e Morningside Heights, m�ltiplas correntes de influ�ncia subsaariana e ocidental convergem a cada minuto de cada dia.

N�o h� uma 'tend�ncia principal' em Nova York. Jean-Michel, na profundidade de seu trabalho, nos faz questionar essa express�o da moda, nos faz examinar a fundo sua din�mica de exclus�o.

Dele � a procura de uma avalia��o ecum�nica mais aguda das configura��es problem�ticas - embora promissoras - de nosso destino urbano e nossa situa��o.

De qualquer forma, era inevit�vel que um artista com tais talentos desse sentido ao desafio dessa efervesc�ncia, como Wifredo Lam comparou a Paris modernista e a Havana afro-cubana, como Borges combinou a mania que Buenos Aires tem de copiar os franceses com o hero�smo e machismo do tango descoberto por ele nos barrios.

O estilo caribenho de Nova York, intenso e sensual, e a �tica do trabalho duro que trouxe os homens e mulheres tropicais para a cidade em primeiro lugar foram os catalisadores que transformaram um jovem e brilhante haitiano-porto-riquenho com inclina��es art�sticas, Jean-Michel Basquiat, em um dos mais festejados pintores da sua gera��o. Outras for�as por tr�s de sua ascens�o inclu�ram a riqueza da cultura negra norte-americana - o jazz do meio do s�culo sendo a maior influ�ncia - e o est�mulo dos museus, livros, filmes, aberturas de exposi��es, �pera, sal�es para dan�ar a salsa, concertos de blues e zydeco - uma gama de tradi��es paralelas.

Quando compreendemos a vida e o estilo de Jean-Michel Basquiat notamos seus famosos textos pintados. Suas palavras incorporam diretivas culturais e dedu��es. Revelam o poder multil�ng�e de Nova York. No processo, Basquiat expressou o que sentia sobre ser negro e ser um artista na cidade mais glamourosa do mundo.

Os textos em suas pinturas s�o, entre muitas outras coisas, corajosos ensaios na autodefini��o cultural. Refletem n�o s� os livros que ele leu e os mundos em que viveu - o Brooklin haitiano da classe m�dia, o Museu do Brooklin, as ruas dos grafiteiros, a m�sica de sua pr�pria 'banda- barulho', e o cen�rio de arte do Soho. Mais criticamente, refletem como ele d� sentido a todas essas esferas.

A Forma��o Cultural de Basquiat

Comecemos por seus pais. O pai de Basquiat, Gerard, bem vestido, trabalhador, de id�ias pr�prias, ambicioso, deu exemplos de estilo, sensibilidade e for�a de vontade. Bem-sucedido como contador, tanto na Nova York branca quanto na negra, jogando t�nis, vivendo bem, ele transpirava confian�a. Procedia de uma fam�lia abastada do Haiti. Os haitianos, em sua di�spora do norte, de Montreal a Miami, foram bem-sucedidos. Gerard era um exemplo dessa �tica.

� verdade que Jean-Michel deixou a escola em 1977. Tornou-se um artista de rua, especializando-se em textos engra�ados e mordazes, escritos nos muros. Ele e seu amigo Al Diaz os assinavam com o nome de Samo. Mas algo como a for�a de vontade de seu pai estimulou visivelmente esses gestos bo�mios. Porque Jean-Michel n�o colocou seus textos de rua em qualquer lugar, mas predominantemente ao longo de caminhos retirados do Soho e do East Village, �s vezes at� em vernissages. Sabia que ali seriam fatalmente vistos por pessoas influentes. N�o eram apenas textos sociais. Tamb�m constitu�am, no melhor estilo Norman Mailer, publicidade para ele pr�prio.

Alguns cr�ticos cobram do nome haitiano de Jean-Michel conhecimento do Haiti e da religi�o das massas haitianas, o 'vodun', ou vodu, como dizem. N�o � verdade. Jean-Michel nunca viajou para o Haiti. Jean-Michel nunca falou o crioulo, a l�ngua do povo haitiano. Ele era mais chegado � sua m�e porto-riquenha, Matilde.

Ela falava espanhol caribenho com ele. Jean-Michel falava com ela em espanhol (6). Ela o levava para ver museus e as pinturas ali expostas - em 1966, quando tinha seis anos, ele j� possu�a um cart�o que o identificava como 'membro j�nior' do Museu do Brooklyn (7).

Em 1974 Gerard Basquiat, ent�o separado de Matilde, mudou-se para Porto Rico com os filhos. L� viveram at� 1976. Essa imers�o de um ano e meio, quando Jean-Michel estava na adolesc�ncia, aperfei�oou seu espanhol, como tamb�m as f�rias subseq�entes na ilha, inclusive a de 1987.

Da inf�ncia em diante, Jean-Michel "lia muit�ssimo" (8). Seus pais incentivavam essa paix�o. Em 1968, quando jogava softball na Rua 35 Leste, no Brooklyn, um carro o atropelou (9). Os cirurgi�es tiveram de remover seu ba�o. Enquanto se recuperava no hospital, sua m�e lhe trouxe um exemplar do livro Gray's Anatomy (10). Foi um presente extraordin�rio para um convalescente.

Matilde, em certo sentido, tinha feito com carinho seu filho estudar o seu corpo ap�s o acidente. Encorajava tamb�m seus interesses art�sticos, sabedora de que Michelangelo e todos os grandes pintores tinham estudado anatomia.

Em mar�o de 1987 perguntei a Jean-Michel se ele achava que o texto de Gray tinha ajudado no seu restabelecimento, imergindo sua consci�ncia em desenhos e nomes das partes ativas do corpo humano. Ele respondeu: "Parece que sim ".

Em suma, com seu pai Jean-Michel aprendeu a ter confian�a e a ser obstinado. Com a m�e aprendeu como usar essa obstina��o em favor da criatividade. A ela ele devia um dos aspectos correntes de sua iconografia - o de que a medicina de diagn�sticos se relaciona com textos e desenhos.

� medida que convalescia, Basquiat sabia que o conhecimento que o cirurgi�o tinha da totalidade do seu corpo estava por tr�s da finaliza��o bem-sucedida da cirurgia. Do trauma, atenuado pelo amor e pelo conhecimento, surgiu a liga��o do artista com os textos e desenhos de anatomia.

Mas iremos reconhecer as nuan�as transformadoras e a ambi��o surgidas dessa paix�o: os ensaios de anatomia de Basquiat, na sua maneira de expor, s�o estilo e conte�do a servi�o da cura numa escala gigantesca. Al�m disso, iremos ver muito humor tamb�m, combinando uniformidade com acaso e ocasi�o.

Ele lida com mais do que ossos e textos. Confronta a anatomia da cidade nos seus pontos nevr�lgicos raciais, ling��sticos e culturais. Ele lhe d� influ�ncias em conflito e lhes confere coer�ncia. E somos n�s que nos beneficiamos, n�o ele, destru�do por uma das mais violentas 'doen�as culturais' das ruas: a hero�na.

Crescendo em Boerum Hill, no Brooklyn, Basquiat ouvia as pessoas mudarem de pap�is o tempo todo. Nas ruas seus colegas poderiam sem esfor�o passar do ingl�s padr�o (na frente de estranhos) para o ingl�s dos negros (entre os amigos) e novamente para o ingl�s padr�o (11). No seu estilo pr�prio de falar, Jean-Michel levava a mudan�a de pap�is para um outro n�vel. Palavras dos dois dom�nios, como descolado e careta, branco e preto, fundiam-se no seu idioma. Ele falava essa mistura com a mesma entoa��o, quer estivesse com Rammellzee, mago dos grafiteiros, ou discutindo neg�cios com a famosa dona de galeria Mary Boone. "Jean-Michel", lembra seu grande amigo Michael Holman, "nunca se confundia" (12).

Aqueles que se prendiam a cada palavra de Jean-Michel no Mudd Club, que tocavam ou ouviam a sua banda, que viam suas grandiosas entradas com Haring e Warhol nos clubes e restaurantes da cidade, raramente entendiam que Jean-Michel fosse t�o fluente em espanhol como em ingl�s. Sempre que ib�ricos e anglo-sax�nicos se reuniam, nas ruas de Chelsea, do Bowery, ou no Lower East Side, ele estava pronto. Quando se falava espanhol, tudo virava afro-caribenho - sotaque, dic��o, ritmo, entoa��o.

Assim, Jean-Michel incorporava com eleg�ncia o poder para tratar a hist�ria e os fatos em v�rias l�nguas.

Suas pinturas, portanto, n�o s�o sobre o 'conhecimento' proveniente de um contexto �nico, n�o quando comparadas com a louca combina��o de atitudes e idiomas de Nova York. Jean-Michel misturava e confrontava o que era tradicional e melhor na sua experi�ncia cultural, como o jazz, o blues e a �pera, com o que era estimulante em termos de tecnologias populares fervilhando ao seu redor.

No processo, Basquiat transformou de maneira indel�vel a imagina��o da arte americana do s�culo XX. Contudo, alguns cr�ticos interpretaram erroneamente essa qualidade principal. De forma did�tica, colocaram seu talento em compartimentos estanques: 'primitivo' haitiano; ing�nuo bairrista; fen�meno de uma inf�ncia reprimida; e assim por diante.

Entretanto, a carism�tica precis�o do seu olhar vem da sua pr�pria solu��o para o problema fundamental do Ocidente nos dias de hoje: uma necessidade urgente de intelectos outros que n�o os nossos. Ele deu in�cio a esse trabalho multil�ng�e, uma alian�a imaginativa do conhecimento com a brincadeira, procurando sem remorso a continuidade.

A despeito dessas complexidades tipogr�ficas, ling��sticas e do pintor - ou justamente por causa delas - o relacionamento de Basquiat com certos cr�ticos permanece problem�tico. Sua tr�gica morte, em 12 de agosto de 1988, como conseq��ncia de uma overdose de drogas, somada a bobagens sobre sua 'origem nas ruas', deram a esses escritores um abuso de liberdade, ou assim eles pensam, para tratar da reputa��o de Basquiat de maneira sensacionalista.

Felizmente, cr�ticos importantes, incluindo Greg Tate, Rene Ricard, Judith McWillie, Lucy Lippard, Jeffrey Deitch, Mark Francis, Robert Storr, Charles Merewether e John Russell, observaram a fant�stica flu�ncia de seu pensamento em a��o. (...) Gerardo Mosquera, cr�tico de arte cubano, comparou-o a Wifredo Lam.

Argumentos e realiza��es

Entender a arte de Jean-Michel depende em parte da compreens�o de seu envolvimento perp�tuo com a m�sica - literalmente seu ambiente de trabalho. Predominam o jazz e o blues, ra�zes afro-atl�nticas conscientemente escolhidas. Aparecem como contexto, nomes, estilo. Al�m disso, uma fra��o do talento ostentat�rio da sua 'banda-barulho', Gray, tornou-se durante os anos de 1979-80 irredut�vel e reapareceu, espec�fica e intacta, como estilo e assunto em seus quadros.

Ignora-se a tentativa de Basquiat de cortar rela��es com seu passado de grafiteiro, respeitando uma outra manifesta redund�ncia, enquanto sua reputa��o aumentava e sua pintura deslanchava. Porque a coroa, o motivo principal do metr� - 'o rei da linha' -, est� sempre l�. Como tamb�m est�o os equivalentes aos seus textos grafitados em muros, embora orquestrados em n�veis totalmente musicados e multiafirmativos.

O �cone da coroa persegue a resposta quintessencial de Basquiat para a pergunta feita por Henry Geldzahler: "Qual � o seu assunto?" Ao que Basquiat respondeu: "Realeza, hero�smo e as ruas" (13).

A entrevista de Geldzahler inclui passagens importantes nas quais Jean-Michel fala sobre as fontes 'sofisticadas' e 'populares' no seu trabalho. Franz Kline, ele revelou, era "um de meus favoritos". Ele disse que n�o tinha id�ia do que era a arte haitiana (a pressuposi��o de novo) "mas queria [em sua juventude] ser um cartunista", e que seu "Twombly favorito era Apollo and the Artist com 'Apollo' escrito em letras grandes atrav�s dele" (14).

O discurso falha novamente se a gama sofisticada de paix�es visuais de Basquiat - incluindo Kline, Twombly e as hist�rias em quadrinhos - � censurada numa tentativa de fazer dele um afro-mowgli, um menino-lobo n�o domesticado das ruas do Brooklyn. Realmente, Basquiat fez uma leitura de Twombly t�o aproximada que se poderia argumentar que uma das fontes de sua inclina��o pelo 'velamento' advinha da obra de Twombly de 1970, Untitled (Study for Treatise on the Veil).

Quando Jean-Michel come�a a trabalhar, no entanto, os cremes e cinzas de Twombly somem no turbilh�o das cores vivas afro-atl�nticas. Seu Zydeco de 1984, de cores brilhantemente sincopadas, se comparado ao Treatise de Twombly, mostra que Jean-Michel apaga para revelar: "Corto palavras para que voc� as veja melhor; o fato de elas estarem obscurecidas faz com que voc� as queira ler" (15). No entanto, Twombly realmente as apaga.

A escolha de Kline como fonte � culturalmente apropriada. Kline, al�m de tudo, estava em evid�ncia quando o mambo tomou conta de Nova York, quando quase todo mundo nas artes foi finalmente ao espet�culo de mambo no Palladium, na Broadway com a 53, �s quartas-feiras.

Afinidade espiritual, pelo menos, ligava as diagonais pretas atl�ticas de Kline, presentes com toda a sua for�a diab�lica no assim chamado poder caligr�fico em Dahlia, de 1959, e o mambo nova-iorquino comparavelmente forte e cortante dan�ado pelo grande An�bal V�squez em 1959.

A energia inerente e a atitude de Kline, um ex-atleta (16), complementa a agita��o e a pulsa��o de Basquiat.

Skin Head Wig, feito no inverno de 1982, exemplifica o dom�nio do expressionismo abstrato por Basquiat e outras fontes. Uma pincelada escura � la Kline domina um fragmento de sua pr�pria colagem tipo cartum, como um remate num edif�cio. Ele sela o elemento abstrato com um criptograma t�pico de Twombly. Escrever o et�reo Twombly sobre o macho Kline era em si um contraste espirituoso.

Nesse meio tempo, os blocos de hist�rias em quadrinhos em si tamb�m continham alus�es divertidas � 'arte erudita'. Encontra-se uma bailarina de Degas em rosa, escondida numa gargalhada de um cartum (HEE HEE HEE HEE HEE) e um passarinho e uma cruz dentro de um S de Super-Homem. H� tamb�m duas imagens de V�nus - "apenas um objeto de arte sensual jogado dentro" (17).

As exuberantes abstra��es, em preto e marrom, aparecem em equil�brio matizadas com t�cnicas e motivos extra�dos da da impress�o e figura��o. O visual e o verbal se encontram como nuvens de uma tempestade sobre a cidade. Combinando a rua e o museu, o vern�culo e o padr�o, Basquiat parece sugerir: "Elimine qualquer um deles e ter� eliminado Nova York".

Na obra de Jean-Michel existem muitas influ�ncias modernistas ocidentais. Elas se estendem a �reas onde n�o temos uma declara��o do artista para guiar o argumento. Aqui, s� o estilo sugere uma fonte.

De pintura a pintura reconhecemos uma fonte de poder principal: a 'autocreoliza��o'. Isso significa simplesmente ser fluente em v�rias l�nguas e saber como fundi-las para causar efeito.

Observe-o desenhar as letras das palavras em ingl�s, em espanhol, um pouco em italiano, estas �ltimas express�es refletindo suas conex�es com o mundo da arte daquele pa�s, enquanto pinta pron�ncias ao acaso no desenho. Ou considere, numa pintura sem t�tulo, uma mistura caracter�stica de alto conte�do de octano de alus�es � ci�ncia (Radium), teste her�ico dos limites (Icarus) estiliza��o afro-atl�ntica (v�rias m�scaras e cr�nios), her�is da explora��o, tanto literal quanto em termos de m�sica cl�ssica negra (Marco Polo, Miles Davis). Ele cita tudo isso contra o poder centralizador do corpo humano (costelas, rosto, torso, joelhos). Ainda h� mais: ele at� acha espa�o para sugerir, n�o sem humor, alguns dos melhores momentos (As Trag�dias Gregas: Segunda Parte), ou piores (Nero), na Antig�idade mediterr�nea. N�o � de estranhar que Charlie Parker, o complexo jazzman, fosse o �dolo de Basquiat.

Basquiat, em seus melhores momentos, se compara, na arte, ao jazz revolucion�rio de Parker, ponto por ponto. Mas Parker n�o foi seu �nico mentor. Na busca por modelos de bravura, seus olhos naturalmente se voltaram para os astros do pugilismo.

All Colored Cast (Part II), de 1982, relaciona Jersey Joe Walcott, o boxeador negro, a Toussaint-L'Ouverture, que derrotou os ex�rcitos de Napole�o em solo haitiano. Basquiat tamb�m v� Jack Johnson, o campe�o peso-pesado durante a Renascimento do Harlem, como rei. Ele tamb�m revela a nobreza inerente de Sugar Ray Robinson. Conforme vai caminhando, recapturando aspectos da hist�ria do atletismo negro, h� passagens alegres, tamb�m. Jean-Michel mostra Cassius Clay sem uma coroa - sua boca j� � todo-poderosa.

Nem todos os seus �dolos s�o afro-americanos. Pr�ximo a Joe Walcott e Toussaint-L'Ouverture em All Colored Cast, aparece o nome de Alexandre o Grande, que nos faz pensar em Alexandria e na famosa biblioteca. E isso leva imediatamente � nobreza m�xima: aprender.

Conforme Robert Storr enfatiza: "Tudo no seu trabalho � saber, e muito � sobre o saber" (18). N�o h� evoca��o mais completa do amor de Jean-Michel pelos livros e a transcri��o dos fatos do que uma composi��o chamada Savonarola. Esse trabalho surpreendente, que dizem ser do inverno de 1982/83, � nada mais nada menos do que um fragmento pintado de um �ndice. A coloca��o deslocada do N nos traz de volta � realidade. Numa acentua��o suspensa, o som do jazz, blues ou rap entra pela janela da biblioteca.

O interesse de Basquiat pela �pera, principalmente pela voz de Maria Callas, encontra eco em outros trabalhos. Num desenho, �leo sobre papel, datado de 1983, ele trabalha duas equa��es:
ESPORTES
�PERA
ESPORTES
�PERA
ARMAS

Ele aproxima os diferentes mundos de Maria Callas, Sugar Ray Robinson e, possivelmente lembrando o 'panzerismo iconocl�stico' de Rammellzee, a guerra. Por�m, o mais importante e recorrente para ele era o jazz moderno.

As pinturas dedicadas aos que tocavam o bop dos anos 40 est�o entre seus trabalhos mais reconhecidos. Basquiat os homenageou com disciplina. E, portanto, considero como pre�mbulo alguns poucos trabalhos iniciais antes da composi��o Charles The First. Essa pintura homenageia simultaneamente o jazz e marca a descoberta do artista de um estilo mais forte.


As Obras Iniciais: Erudi��o e Amabilidade

"Os generosos e os audaciosos t�m as melhores vidas."
Extra�do da Edda Po�tica, compila��o de antigos poemas islandeses, ca.1200 d.C. (19).

O que identifica Jean-Michel Basquiat como um grande artista americano � a coragem e o poder de autotransforma��o. Essa coragem, que significa n�o ter medo de falhar, transforma os paralisantes autoconscientes 'predicados da cultura' em confiantes '�xtases de culturas recombinados'.

Ele tinha coragem, e muito mais, para enfrentar o desafio n�mero um da arte de Nova York: voc� pode transformar a si pr�prio e a sua heran�a em algo novo e reconhecido? Pollock conseguiu. Kline e Claes Oldenburg tamb�m.

O pr�prio Basquiat n�o parodiou o expressionismo abstrato como alguns mestres do pop fizeram algumas vezes. Conforme fundia suas fontes, sua disposi��o era mais complexa: humor, brincadeira, maestria e companheirismo estil�stico. Ele trouxe para sua obra a primeira gera��o (Kline) e a segunda (Twombly) de cita��es expressionistas abstratas e as combinou com cartuns, grafites e outros estilos. No processo, ele deu forma f�sica aos sinais de erudi��o e amabilidade fundidos com a arte de romper padr�es que ele pr�prio inventou, sua pr�pria autobricolagem.

Em 1985, ele me contou: "Andy [Warhol] faz colagem de fotos; eu fa�o colagem de minha pr�pria m�o". Com isso queria dizer: Basquiat faz fotoc�pias de seus pr�prios desenhos, guardando-os, cortando-os e colando-os.

Ele parou de trabalhar com as caras das hist�rias em quadrinhos steinbergianas do in�cio de sua carreira e partiu para as m�scaras e cr�nios africanizados. Quebrou os haicais agudos e derris�rios, pintados nas paredes do Soho, em palavras soltas e frases. � medida que sincopava palavras, com passagens de cor algumas vezes emprestadas do expressionismo abstrato e outras n�o, os textos propriamente ditos ca�am em discord�ncias de rima, parecidas com o rap (20). As palavras, como ele explicou, se tornaram 'pinceladas', reiteradas ad libitum.

O achatamento da perspectiva de seus dias das hist�rias em quadrinhos foi acompanhado pelo achatamento da 'perspectiva' de suas mensagens tamb�m.

Fragmentos de texto se tornaram objetos musicais incertos no plano do quadro. Falas e sons das hist�rias em quadrinhos, sem conter os bal�es, se tornaram m�sica abstrata aut�noma.

Se o cubismo, reconsiderado do ponto de vista da �frica Central, se tornou p�sula kini - arte da sombra quebrada (21) -, ent�o Basquiat remarcou o curso para a �frica. Ele desenvolveu uma maneira de quebrar as letras das senten�as de influ�ncia africana, de quebrar o padr�o dos cr�nios, cortados e vistos em diferentes n�veis, e de quebrar o per�odo historicista, como uma m�quina do tempo deixada tartamudeando sozinha.

Contra o padr�o de todas essas correntes e a��es 'creolizantes', ele, contudo, manteve-se ele mesmo. Engag� sur le motif noir, "a pessoa negra [como] protagonista" (22), ele povoou a maioria de suas pinturas com pessoas de cor, em parte para redirecionar a falta de equil�brio que ele notou em suas primeiras idas a museus: "N�o vi muitos quadros com gente negra" (23).

Basquiat continuou sendo fiel a si mesmo e, indo mais longe, com um �nico motivo repetido at� sua morte: o sinal da coroa de tr�s pontas. Fiando-se n�o s� em muito trabalho e inspira��o para conseguir chegar l� mas tamb�m na for�a dos amuletos, ele continuamente se coroava o rei dos pintores, confirmando seu status futuro.

A coroa em suas m�os funde de forma m�gica o passado - sua posi��o dominante em seus dias como grafiteiro, quando dele eram os escritos mais espirituosos nos muros - com o futuro. Basquiat conversou com Henry Geldzahler sobre as implica��es m�sticas pretendidas, ou descobertas retroativamente, em alguma parte de sua linguagem de sinais - "Escrevia ouro em todas as coisas e fiz todo esse dinheiro depois" (24).

Um dos trabalhos iniciais sem t�tulo, datado de 1981 e executado em crayon sobre papel, documenta o artista procurando o poder por meio do encantamento visual. Conforme coloca a coroa de sua pintura na cabe�a ele abre um sorriso. W.H. Rouse conta que Odisseu s� sorriu duas vezes em toda a Odiss�ia. Sorrisos na arte de Jean-Michel tamb�m s�o raros.

Em K, pintura de 1982, Basquiat pinta sua coroa com dourado e a cerca com v�rios sinais de cifr�o e marcas de direitos autorais, fazendo jocosos/s�rios sortil�gios sobre o futuros fabulosos e ricos. Al�m disso, joga moedas, por assim dizer, em v�rias de suas composi��es, de novo, provavelmente para render dinheiro. (Compare com um cantor de blues que vi uma vez em Kansas City com moedas coladas ao redor do chap�u, ou cifr�es, utilizados como motivos de boa sorte e status nas casas ou nas vestimentas da costa oeste da �frica.) Uma inten��o semelhante explica, em parte, a presen�a dos s�mbolos de direitos autorais e marcas registradas em sua pintura. A alquimia se mistura com a ironia numa linguagem de auto-emerg�ncia.

Uma das mais fortes marcas de talento � muito, muito trabalho. Assim sendo, h� na obra de Basquiat sinais de sua fascina��o por picaretas, martelos e pregos, blocos de madeira, e o assentamento de trilhos de estrada de ferro. Esses motivos identificam uma anatomia de suor e m�sculos, algumas vezes explorados - "linhas de estrada de ferro constru�das para a mudan�a de Chump em 1850 por chineses" -, algumas vezes bem-sucedidos e auto-real�ados.

Em Untitled (1981), h� um tema inicial sobre pregos e martelos, justapostos com pequenas nuvens, avi�es, uma ambul�ncia e campos de A's - Basquiat, talvez, procedendo � auto-avalia��o. Ser� que a ambul�ncia vai em dire��o � Rua 35 no Brooklyn, um memento mori - como os cr�nios?

Esteja alerta, ele diz, em qualquer caso, numa outra pintura dos primeiros tempos, Acque Pericolose (Poison Oasis), de 1981. Aqui, uma serpente verde-�cido se desenrosca. O amarelo e o bege tipo miragem fazem a paisagem do deserto exata. Moscas ins�litas rodeiam a carca�a de uma vaca, como urubus.

Na maior parte das pinturas da fase inicial, Basquiat conteve sua inspira��o. Ele estava absorvendo modos de express�o modernista enquanto, ao mesmo tempo, tentava captar uma frescura e uma maneira de se expressar direta essenciais como as de uma crian�a. Ent�o, repentinamente, entre 1982 e 1983, tudo ficou muito barulhento. O jovem mestre estava pronto. Ele pintou evoca��es do jazz cl�ssico dos anos 40 e tornou-se um meio de comunica��o emergente.


Jazz e Zydeco

"Era julho de 1917 e os lindos rostos estavam frios e tranq�ilos; movendo-se vagarosamente no espa�o que os tambores estavam construindo para eles."
Toni Morrison, Jazz (25)

Em 1982 Basquiat come�ou a pintar tr�pticos. A cortina se levantou para combina��es mais profundas do formal e do vernacular. Charles The First � a pintura principal, feita com cuidado e afei��o, trazendo de volta a mem�ria de Charlie Parker, encarna��o do jazz moderno.

O mundo se lembra de Parker pelas estupendas polaridades de estilo. Parker soprava 'com calor': "Torturado, queimado, soprando forte, fazendo lembrar as congrega��es que falavam alto do Sul" (26). Parker soprava 'serenamente': "Com ... lirismo obl�quo, indiretas suaves e nuan�as quase apolog�ticas" (27). Basquiat compara ou intui esse aspecto duplo. Ele coloca o amarelo-�cido contra o azul-celeste ultramarino.

Parker redirecionou todo o jazz na peculiaridade africanizante de suspender o acento r�tmico, "deixando algumas marca��es de compasso passar, para fazer a marca��o sobressair" (28). De maneira similar, o pintor quebra o fraseado dourado e azul realizando seus escritos nos espa�os entre as mudan�as que assim se tornam mais vis�veis.

� medida que escreve a �leo, Basquiat nos liga a Parker por outros meios. Na �poca em que estava na banda ele tornou-se ciente, lendo livros de biologia, de que o crescimento do homem era atribu�do a �reas do c�rebro que dirigiam a m�o e a fala - e por isso costumava cantar "c�rebros e m�o, c�rebros e m�o!" Aqui, ele literalmente coroa a m�o esquerda de Parker enquanto faz com que a sua direita emerja do S no t�rax do Super-Homem. Parker toca seu saxofone, em outras palavras, com o toque de um rei, com a garra de um super-her�i - e com a velocidade e impacto dos pr�prios trov�es de Thor. Para o escandinavo, o nome de deus aparece tamb�m sob uma coroa.

CPRKR, de 1982, reafirma Parker como o rei do jazz moderno. Quase um epit�fio pintado, a composi��o cont�m a data dos servi�os religiosos em mem�ria do m�sico no Carnegie Hall, 2 de abril de 1955, e o lugar onde ele morreu no s�bado, 12 de mar�o de 1955, o Hotel Stanhope (na cidade de Nova York). Uma cruz crist� completa o aspecto de funeral. Mas a legenda Charles The First implica que outras seguir�o, numa linha de criatividade. A simplicidade ilus�ria da tinta industrial marrom que assinala os nomes pode representar uma homenagem a um dos inventos estil�sticos de Joseph Beuys, ele pr�prio uma figura idolatrada da arte do s�culo XX.

A paix�o do humanismo do jazz de Basquiat deu origem a uma outra pintura que � um marco - Zydeco, de 1984. Durante a d�cada de 80 e antes dela, deu-se o ressurgimento de uma forma de m�sica afro-lousiana, conhecida como zydeco, que foi muito tocada nas noites de Nova York. Basquiat conhecia esse mundo (29). Fazia parte integrante do seu amor pelas m�sicas relacionadas com o jazz. Ele captou o impacto e o efeito de uma apresenta��o de zydeco num tr�ptico que sugere, em primeiro lugar, o pano de fundo geral da est�tica afro-atl�ntica de suavidade; em segundo, o tocar dessa m�sica baseada na harmonia entre �cones de trabalho e continuidade; e, finalmente, a dissemina��o da m�sica em filme, r�dio, fotografia e disco.

Ao enfatizar a continuidade do esp�rito est�tico negro como virtude po�tica na civiliza��o americana, como Diego Rivera sondando as ra�zes mesoamericanas do M�xico, esses trabalhos marcam o cl�max do historicismo jazz�stico de Basquiat.


Da M�sica � Pintura: as Realiza��es de Jean-Michel Basquiat

"O esp�rito det�m o poder."
Arthur Rimbaud, "Uma esta��o no inferno".

O entendimento da ascens�o mete�rica da arte de Basquiat aumenta quando descobrimos que ele inventou estratagemas est�ticos na poesia e na m�sica, apenas para transferi-los para a pintura.

Quando, no Mudd Club, Basquiat disse as seguintes palavras:

"Mona Lisa, Mona Lisa
foi o nome que os homens lhe deram
um cidad�o de segunda classe
manchado de ch� marrom
com p�ginas faltando
se fosse mostrado o motor
que cada homem usaria
duzentas libras de esfor�o
negam a l�gica de
uma hist�ria em quadrinhos primitiva",

estava formulando uma equa��o confusa, fama, beleza, superexposi��o e desgaste social, o que mais tarde foi inclu�do na sua pintura.

Com a carreira ascendendo feito m�gica, citando nomes famosos, tornando-a negra, defendendo-a dos filisteus, ele simultaneamente se afirmava contra o fluxo de predicados antiarte e antinegros.

A estrat�gia se modifica em Thesis, de 1983. Mais uma vez Basquiat chama Mona Lisa. Ele a submete a um tratamento dent�rio surrealista (Canino, Pr�-Molar), uma flecha com esses termos apontando para seu queixo. Seu corpo desaparece em declara��es escritas, Dos Olhos ao Centro do Seio, e P�, dentro de um quadrado. Isso tudo encontra mais interrup��es: Rolando as Escadas e Rio do Mesmo Tamanho. Uma alus�o cl�ssica (Cavalo de Tr�ia) aparece sob uma coroa e um dos momentos da funda��o da hist�ria americana � copiado tamb�m (Plymouth Rock). Arte no meio do acaso e do anacronismo.

O que come�a como som, ambi��o revestida em ultrajes verbaisr, amadurece como vis�o. Basquiat estava constantemente lendo nos seus dias de 'banda-barulho'. Uma passagem de um livro de Biologia tomou conta de sua imagina��o: as �reas cerebrais cr�ticas onde se origina o uso de ferramentas (a m�o) e a palavra (a l�ngua). Assim, ele foi para o palco no Hurrah's, pegou o microfone com o livro na m�o, olhou para o p�blico e converteu os dados, como se lembra Holman, em poesia, de forma apaixonada:

"O homem pode ir � lua
com o c�rebro e a m�o
O homem pode dividir o �tomo
com o c�rebro e a m�o
O homem pode ver as estrelas
com o c�rebro e a m�o."

Ao ler Biologia, assim como m�sica abstrata, converte na tela, em unidades de hist�ria da arte, anatomia ou informa��o, seja l� o texto que Basquiat lia, se se empolgava no momento. Untitled (1984) � animado, com humor democr�tico secreto, retratando ossos e �rg�os, vestindo-os de surpresa. Parte dessa vitalidade adv�m de falar ao acaso. Basquiat, Holman nos informa, gravou um cretino falando na televis�o -"caiu e quebrou o traseiro, bum, de verdade"- e transformou isso em m�sica abstrata.

Os versos de Basquiat nos ajudam a sentir outro significado, onde o corpo encontra a m�quina, onde os fragmentos de anatomia passam por meio de fragmentos de tecnologia como o p� de uma gal�xia distante.

Em muitas pinturas, Basquiat inscreveu seu pensamento como uma leitura jocosa da tecnologia, adicionando um cr�nio para parar o rel�gio e nos fazer olhar em volta. O linguajar do corpo e o linguajar de um acontecimento eletr�nico, juntos, sugerem uma lingua franca p�s-industrial, da qual os falantes, negros ou de qualquer cor, estar�o livres. Ele me lembra um especialista em rituais do Congo que uma vez ligou interruptores el�tricos, l�mpadas e roldanas ao corpo do seu tambor de conga, operando os interruptores com uma m�o � medida que batia no couro do tambor com a outra.

Enquanto isso, ex-colonizados colonizam as capitais de seus ex-donos com m�sica para dan�ar. Reggae, soca, zouk est�o por toda parte, ou, como Jean-Michel deturpadamente v� o assunto:

"No parque de divers�es tribal
sete tubos de ensaio ca�ram em m�os erradas."

As culturas se chocam nas maiores cidades, Nova York, Londres, Paris e Los Angeles. Para alguns a tend�ncia propicia a maior oportunidade ling��stica e cultural da hist�ria, e Jean-Michel nos leva atrav�s da riqueza, nos mostrando as maneiras de chegar � na��o universal. Para outros, de esp�rito mesquinho, apavorados � medida que a corrente principal se quebra na multiplicidade, as fagulhas de l�nguas e religi�es em conflito s� podem levar � conflagra��o. Basquiat est� pronto para eles tamb�m, e lhes fala num tom de estudada indiferen�a:

"Tive sorte de ter mandado lavar a seco meus ternos de 'tela'antes dos dist�rbios."

Basquiat permanece em contato.

Notas
1. Citado em The Collected Poems of Octavio Paz, 1957-1987 (Nova York, New Directions, 1987), p. 83.
2. Uma �poca brilhantemente recordada por Oscar Hijuelos em The Mambo Kings Plays Songs of Love (Nova York, Farrar, Straus, Giroux, 1989).
3. Richard Goldstein, "The Big Mango", New York, 7 de agosto de 1972, p. 26.
4. ibid., p. 24.
5. Fiz um breve resumo do hist�rico da coreografia do breaking boogie e do electric boogie em "Hip Hop 101". Rolling Stone, 27 de mar�o de 1986, pp. 95-100. Discuto o impacto da dan�a hip-hop no est�dio de arte de Keith Haring num trabalho chamado "Requiem for the Degas of the B-Boys", Artforum, 28 (maio de 1990), pp. 135-41. Ver tamb�m David Toop, The Rap Attack: African Jive to New York Hip Hop (Londres, Pluto Press, 1984), e Nelson George et al., Fresh: Hip Hop Don't Stop (Nova York, Random House, 1985).
6. Conversa telef�nica com Jean-Michel Basquiat em mar�o de 1987.
7. Agrade�o a Gerard Basquiat por compartilhar comigo a descoberta desse cart�o entre os objetos pessoais de seu filho. Ele tamb�m compartilhou comigo dados sobre as viagens de Jean-Michel a Porto Rico.
8. Conversa telef�nica com Gerard Basquiat em abril de 1992.
9. ibid.
10. Phoebe Hoban, "SAMO ... Is Dead: The Fall of Jean-Michel Basquiat", New York, 26 de setembro de 1988, p. 39: "[Basquiat] mais tarde disse ao entrevistador que Gray's Anatomy, que sua m�e lhe havia dado durante sua convalescen�a, tinha influenciado inicialmente seu trabalho".
11. Conforme se lembrava Gerard Basquiat, numa conversa com o autor. Mar�o de 1992.
12. Conversa telef�nica com Michael Holman em maio de 1992.
13. Henry Geldzahler, "Art: From Subways to Soho, Jean-Michel Basquiat", Interview, 13 de janeiro de 1983, p. 46.
14. ibid.
15. Conversa com Jean-Michel Basquiat, in�cio de mar�o de 1987.
16. Veja, por exemplo, Albert Boime, em Boime e Fred Mitchell, Franz Kline: The Early Works as Signals, exp. cat. (Binghamton University Art Gallery, State University of New York at Binghamton, 1977).
17. Entrevista com Jean-Michel Basquiat em mar�o de 1987.
18. Robert Storr, introdu��o a Jean-Michel Basquiat: Drawings, de John Cleim, ed., exp. cat. (Nova York, Robert Miller Gallery, 1990), n.p.
19. The Elder Edda, trad. Paul B. Taylor and W.H. Auden (Nova York, Vintage, 1970), p.44.
20. Storr, Jean-Michel Basquiat, referindo-se ao mesmo aspecto, chama-o de "eye-rap".
21. Robert Farris Thompson, "Break-Shadow Art (P�sula Kini): Towards an African Reading of Modernist Primitivism", em Gerald Berjonneau e Jean-Lous Sonnery, eds., Rediscovered Masterpieces (Paris: Fondation Dapper, 1987), p. 72: "O cubismo, traduzido para os termos tradicionalistas do Congo, � a arte de 'quebrar-sombras', o debate de formas com facetas sombreadas".
22. Cathleen McGuigan, "New Art, New Money: The Marketing of an American Artist", The New York Times Magazine, 10 de fevereiro de 1985, p. 31.
23. ibid.
24. De Geldzahler, "Art", p. 46.
25. Toni Morrison, Jazz (Nova York, Alfred A. Knopf, 1992), p. 53. As obras de jazz examinadas s�o uma amostragem. Outras pinturas est�o relacionadas, direta ou indiretamente, com o jazz. Brain, por exemplo, de 1985, inclui evoca��es pintadas de discos de jazz em 78 rpm, como tamb�m Bird of Paradise, de 1984, e outros.
26. Stearns, The Story of Jazz, p. 228.
27. ibid.
28. ibid.
29. Conversa com Jean-Michel Basquiat em mar�o de 1987.













































































































































































































































































































































































































































































































































Cronologia
Nasceu em 22 de dezembro de 1960, no Brooklyn, Nova York. Morreu em 12 de agosto de 1988.


Mostras individuais


1996
Basquiat, Serpentine Gallery, Londres, Inglaterra; Jean-Michel Basquiat: Bodies and Heads, Unpublished drawings from the Estate, Robert Miller Gallery, Nova York, Estados Unidos.
1995
Two Cents: Works on Paper by Jean-Michel Basquiat and Poetry by Kevin Young, Centre Gallery, Miami-Dade Community College/Wolfon Campus, Estados Unidos.
1994-95
Jean-Michel Basquiat Works in Black and White, Robert Miller Gallery, Nova York, Estados Unidos; Jean-Michel Basquiat: The Blue Ribbon Series, Mount Holyoke College Art Museum, South Hadley, Estados Unidos.
1994
Jean-Michel Basquiat, Henry Art Gallery, Seattle, Estados Unidos; Jean-Michel Basquiat, Johnson County Community College Gallery of Art, Overland Park, Estados Unidos.
1993/94
Jean-Michel Basquiat, Mus�e-galerie de la Seita, Paris, Fran�a; Jean-Michel Basquiat, Tony Shafrazi Gallery, Nova York, Estados Unidos.
1993
Galerie Delta Rotterdam, Holanda; Salon De Mars, Paris; Jean-Michel Basquiat, Newport Harbor Art Museum, Newport Beach, Estados Unidos; Jean-Michel Basquiat, Mus�e d'art Contemporain, Pully/Lausanne, Su��a.
1992/94
Jean-Michel Basquiat, Whitney Museum of American Art, Nova York, Estados Unidos.
1992/93
Metropolitan Museum of Art, Nova York, Estados Unidos; Instala��o de Nu-Nile, 1985, e de Untitled - Palladium Painting, 1985, no 2� andar da Lila Acheson Wallace Wing.
1992
Jean-Michel Basquiat, Vrej Baghoomian Gallery, Nova York, Estados Unidos; Jean-Michel Basquiat, Mus�e Cantini, Marselha, Fran�a; Jean-Michel Basquiat, Galerie Eric van de Weghe, Bruxelas, B�lgica.
1991
Jean-Michel Basquiat: Oil Paintings, Drawings etc, PS Gallery, T�quio, Jap�o.
1990
Jean-Michel Basquiat: A Survey of Drawings, Robert Miller Gallery, Nova York, Estados Unidos; Jean-Michel Basquiat: Oeuvres sur papier, Galerie Le Gall Peyroulet, Paris, Fran�a; Basquiat, Galerie Fabien Boulakia, Paris, Fran�a.
1989
Jean-Michel Basquiat, Vrej Baghoomian Gallery, Nova York, Estados Unidos; Jean-Michel Basquiat, Galerie Enrico Navarra, Paris, Fran�a; Jean-Michel Basquiat: Das zeichnerische Werk, Kestner-Gesellschaft, Hannover, Alemanha.
1988/98
Jean-Michel Basquiat: Memorial Exhibition, Annina Nosei Gallery, Nova York, Estados Unidos.
1988
Jean-Michel Basquiat, Galerie Yvon Lambert, Paris, Fran�a; Jean-Michel Basquiat: Peintures 1982-1987, Galerie Beauborg, Paris, Fran�a; Jean-Michel Basquiat: Neue Arbeiten, Galerie Hans Mayer, D�sseldorf, Alemanha; Jean-Michel Basquiat, Galerie Michael Hass, Berlim, Alemanha; Jean-Michel Basquiat, Vrej Baghoomian Gallery, Nova York, Estados Unidos; Jean-Michel Basquiat: Paintings-Drawings, Galerie Thaddaeus Ropac, Salzburg, �ustria; Jean-Michel Basquiat: Paintings, Gallery Schlesinger Limited, Nova York, Estados Unidos.
1987
Jean-Michel Basquiat, Galerie Daniel Templon, Paris, Fran�a; Jean-Michel Basquiat: New Works, Akira Ikeda Gallery, T�quio, Jap�o; Jean-Michel Basquiat: Drawings, Tony Shafrazi Gallery, Nova York, Estados Unidos; Jean-Michel Basquiat: Drawings, PS Gallery, T�quio, Jap�o.
1986-87
Jean-Michel Basquiat, Kestner Gesellschaft, Hannover, Alemanha.
1986
Jean-Michel Basquiat, Larry Gagosian Gallery, Los Angeles, Estados Unidos; Jean-Michel Basquiat: Drawings, Galerie Bruno Bischofberger, Zurique, Su��a; Jean-Michel Basquiat - Bilder 1984-86, Galerie Thaddaeus Ropac, Salzburg, �ustria; Jean-Michel Basquiat: Drawings, Fay Gold Gallery, Atlanta, Estados Unidos; J.M. Basquiat, Centre Culturel Fran�ais d'Abidijian, Costa do Marfim; Jean-Michel Basquiat, Galerie Delta, Rotterd�, Holanda.
1985-86
Jean-Michel Basquiat: Paintings from 1982, Annina Nosei Gallery, Nova York, Estados Unidos.
1985
Jean-Michel Basquiat, Galerie Bruno Bischofberger, Zurique, Su��a; Jean-Michel Basquiat, Mary Boone-Michel Werner Gallery, Nova York, Estados Unidos; Jean-Michel Basquiat: Paintings, Akira Ikeda Gallery, T�quio, Jap�o; Jean-Michel Basquiat, University Art Museum, University of Calilfornia, Berkeley, Estados Unidos.
1984
Jean-Michel Basquiat, Mary Boone-Michael Werner Gallery, Nova York, Estados Unidos; Jean-Michel Basquiat: New Paintings, Carpenter & Hochman, Dallas, Estados Unidos.
1984/85
Jean-Michel Basquiat Paintings 1981-1984, The Fruitmarket Gallery, Edimburgo, Esc�cia.
1983
Jean-Michel Basquiat, Galerie Bruno Bischofberger, Zurique, Su��a; Jean-Michel Basquiat, Akira Ikeda Gallery, T�quio, Jap�o; Jean-Michel Basquiat: New Paintings, Larry Gagosian Gallery, Los Angeles, Estados Unidos; Jean-Michel Basquiat, Annina Nosei Gallery, Nova York, Estados Unidos.
1982
Jean-Michel Basquiat, Annina Nosei Gallery, Los Angeles, Estados Unidos; Jean-Michel Basquiat: Paintings, Larry Gagosian Gallery, Los Angeles, Estados Unidos; Jean-Michel Basquiat, Galerie Bruno Bischofberger, Zurique, Su��a; Jean-Michel Basquiat, Galleria Mario Diacono, Roma, It�lia; Jean-Michel Basquiat, Fun Gallery, Nova York, Estados Unidos; Jean-Michel Basquiat, Galerie Delta, Rotterd�, Holanda.
1981
SAMO, Gallerie d'Arte Emilio Mazzoli, Modena, It�lia.


Mostras coletivas


1996
Thinking Print: The Role of Prints and Illustrated Books in Contemporary Art, The Museum of Modern Art, Nova York, Estados Unidos.
1995
Drawing the Line, Southampton City Art Gallery, Inglaterra; Essence and Persuasion: The Power of Black and White, Anderson Gallery, Buffalo, Estados Unidos; Home is Where..., Weatherspoon Art Gallery, UNC at Greensboro, Estados Unidos.
1994/95
Corpus Imperfectus: The figure in Contemporary Art, Montgomery Glasoe Fine Art, Minneapolis, Estados Unidos.
1994
The Ossuary, Luhring Augustine, Nova York, Estados Unidos; The Shaman as Artist/The Artist as Shaman, Aspen Art Museum, CO, Estados Unidos; Les Temps d'un Dessin, Galerie de L'Ecole des Beaux-Arts de Lorient, Fran�a; Against All Odds: The Healing Powers of Art, The Ueno Royal Museum, T�quio, Jap�o; Art in the Present Tense: The Aldrich's Curatorial History 1964-1994, The Aldrich Museum, Ridgefield, Estados Unidos.
1993
Here's Looking At Me: Contemporary Self Portrait, Art Contemporain, Lyon, Fran�a; Collage and Assemblage, Lennon, Weinberg, Inc., Nova York, Estados Unidos; Extravagant: The Economy of Elegance, Kulturzentrum der Russischen F�deration, Berlim, Alemanha; Drawing the Line Against AIDS, Peggy Guggenhein Collection, Veneza, It�lia (reinstalado at the Guggenhein Museum Soho, Nova York, Estados Unidos); Abstract-Figurative, Robert Miller Gallery, Nova York, Estados Unidos; Windows and Doors, Holly Solomon Gallery, Nova York, Estados Unidos; Et Tous ils Changent le Monde, Biennale d'Art Contemporain, Lyon, Fran�a.
1992/94
Dream Singers, Story Tellers: An African-American Presence, Fukui Fine Arts Museum, organizado por News Jersey State Museum.
1992/93
20th Century Masters: Works on Paper, Sidney Janis Gallery, Nova York, Estados Unidos.
1992
Allegories of Modernism: Contemporary Drawings, The Museum of Modern Art, Nova York, Estados Unidos; An Exhibition for Satyajit Ray, Philippe Briet Gallery, Nova York, Estados Unidos; Images of Children, The Peck School, Morriston, Estados Unidos; The Power of the City/The City of Power, Whitney Museum of American Art, Downtown Branch, Nova York, Estados Unidos; Jean-Michel Basquiat, Jonathan Borofsky, Richard Bosman, Kang So Lee, Terry Winters, Haenah-Kent Gallery, Nova York, Estados Unidos; Paris Connections: African American Artists in Paris, Bomani Gallery and Jernigan Wicker Fine Arts, San Francisco, Estados Unidos; Passions and Cultures: Selected Works from the Rivendell Collection, 1967-1991, The Richard and Marieluise Black Center for Curatorial Studies, Bard College, Annandale-on-Hudson, Nova York, Estados Unidos; Gifts and Acquisitions in Context, Whitney Museum of American Art, Nova York, Estados Unidos; X Mostra da Gravura Cidade de Curitiba/Mostra Am�rica, Funda��o Cultural de Curitiba/Museu da Gravura, Curitiba, Brasil; Baziotes to Basquiat... and Beyond, Bellas Artes, Santa F�, Estados Unidos; Emerging New York Artists: An Exhibit of Selected Works from the Collection of Phil Schrager, Fine Arts Building, College of Fine Arts, University of Nebraska at Omaha, Estados Unidos; Ars Pro Domo, Geselleschaft f�r Moderne Kunst am Museum Ludwig, Col�nia, Alemanha.
1991/92
Devil on the Stairs: Looking Back on the Eighties, Institute of Contemporary Art, University of Pennsylvania, Filad�lfia, Estados Unidos; Art of the 1980s Selections from the Collection of the Eli Broad Family Foundation, Duke University Museum of Art, Durham, NC, Estados Unidos; American Artists of the 80's, Pallazo delle Albere, Mueso Provinciale d'Arte Sezione Contemporanea, Trento, It�lia; Domenikos Theotokopoulos: A Dialogue, Philippe Briet Gallery, Nova York, Estados Unidos; A Passion for Art: Watercolors and Works on Paper, Tony Shafrazi Gallery, Nova York, Estados Unidos; Works on Paper, Annina Nosei Gallery, Nova York, Estados Unidos.
1991
Words & #, Museum of Contemporary Art, Wright State University, Dayton, Estados Unidos; An Aspect of Contemporary Art, Setagaya Art Museum, T�quio, Jap�o; The 1980s: A Selected View from the Permanent Collection of the Whitney Museum of American Art, Whitney Museum of American Art, Nova York, Estados Unidos; Drawings Acquisitions, 1980-1991: Selections from the Permanent Collection of the Whitney Museum of American Art, Whitney Museum of Art at Philip Morris, Nova York, Estados Unidos; Compassion and Protest: Recent Social and Political Art from the Eli Broad Familly Foundation Collection, San Jose Museum of Art, San Jose, Estados Unidos; Portraits on Paper, Robert Miller Gallery, Nova York, Estados Unidos; Andy Warhol and Jean-Michel Basquiat, Sonje Museum of Contemporary Art, Kyongju, Cor�ia; Selected Works, Enrico Works, Navarra Gallery, Nova York, Estados Unidos; Mito y magia en Am�rica: Los Ochenta, Museo de Arte Contempor�neo de Monterrey, M�xico.
1990-91
Language in Art, The Aldrich Museum of Contemporary Art, Ridgefield, CT, Estados Unidos; Keith Haring, Jean-Michel Basquiat: Paintings, Tony Shafrazi Gallery, Nova York, Estados Unidos.
1990
Selected Works, The Greenberg Gallery, St. Louis, Estados Unidos; Jean-Michel Basquiat and Andy Warhol, Ho-Am Gallery, Seul, Cor�ia; Par Hazard: A Changing Installation of Recent Acquisitions, Douglas Drake Gallery, Nova York, Estados Unidos; 21 Jahre Internationale Kunstmesee Basel - Art 21'90, Galerie Hans Mayer D�sseldorf at Basel Art Fair, Su��a; Faces, Marc Richards Gallery, Los Angeles, Estados Unidos; Summer Works on Paper, Fay Gold Gallery, Atlanta, Estados Unidos; The Last Decade: American Artists of the 80's, Tony Shafrazi Gallery, Nova York, Estados Unidos; Works on Paper, Cavaliero Fine Arts, Nova York, Estados Unidos; Quickdraw American Drawings since 1959, Frank Bernarducci Gallery, Nova York, Estados Unidos; Selection Americaine, Galerie Hadrien-Thomas, Paris, Fran�a; Gesture & Signature, Michael Kohn Gallery, Santa M�nica, Estados Unidos; The Decade Show: Frame works of Identity in the 1980s, Museum of Contemporary Hispanic Art, The New Museum of Contemporary Art, and the Studio Museum in Harlen, Nova York, Estados Unidos; Pharmakon '90, Nippon Convention Center, International Exhibition Hall, T�quio, Jap�o.
1989/90
The Blues Aesthetic: Black Culture and Modernism, The Washington Project for the Arts, Washington DC, Estados Unidos.
1989
Modern and Contemporary Master Drawings, Rosa Esman Gallery, Nova York, Estados Unidos; Words, Tony Shafrazi Gallery, Nova York, Estados Unidos; A Decade of American Drawing 1980-1989, Daniel Weinberg Gallery, Los Angeles, Estados Unidos; The Chase Manhattan Bank Collection 1974-1989, Yokohama Museum of Art, Yokohama, Jap�o; Selected Americans, Edward Totah Gallery, Londres, Inglaterra; Jean-Michel Basquiat/Julian Schnabel, Rooseum, Malmo, Su�cia; 1979-1989 American, Italian, Mexican Art From the Collection of Francesco Pellizzi, Hofstra Museum, Hofstra University, Hempstead, Nova York, Estados Unidos; Warhol, Basquiat: Collaborations, Didier Imbert Fine Art, Paris, Fran�a.
1988/90
An Ecletic Eye: Selections from the Frederick R. Weisman Art Foundation, Bridge Center for Contemporary Art, El Paso, TX and New Mexico State University, Las Cruces, Estados Unidos
1988/89
Collaborations: Andy Warhol, Jean-Michel Basquiat, Mayor Rowan Gallery, Mayor Gallery, and David Grob Limited, Londres, Inglaterra; Figure as Subject: The Revival of Figuration Since 1975, Whitney Museum of American Art, Nova York, Estados Unidos.
1988
Works on Paper, Gabrielle Bryers Gallery, Nova York, Estados Unidos; Work on Paper, Michael Maloney Gallery, Los Angeles, Estados Unidos; After Street Art, Boca Raton Museum of Art, Boca Raton, Estados Unidos; L'Art Contemporain � la Defense: Les ann�es 80: vues par cinque galeries, Galerie La Defense Art 4, Paris, Fran�a; 1900 to Now: Modern Art from Rhode Island Collections, Museum of Art, Rhode Island Scholl of Design, Providence, Estados Unidos; Rebop, Paula Allen Gallery, Nova York, Estados Unidos.
1987/88
Logos, Anne Plumb Gallery, Nova York, Estados Unidos.
1987
Works on Paper, Tony Shafrazi Gallery, Nova York, Estados Unidos; Avant-Garde in the Eighties, Los Angeles County Museum of Art, Estados Unidos; The East Village Force de Frappe Comes to the South Bronx, Fashion Moda, Bronx, NY, Estados Unidos; 16 A 56: Summer Salon, 56 Bleecker Gallery, Nova York, Estados Unidos; The Frederick R. Weisman Collection: An International Survey, San Antonio Art Institute, Texas, Estados Unidos.
1986/90
Focus on the Image: Selections from the Rivendall Collection, The Art Museum Association of America, S�o Francisco, Estados Unidos; Heads, Mokotoff Gallery, Nova York.
1986/87
Colabora��es: Jean-Michel Basquiat & Andy Warhol, Galerie Bruno Bischofberger, Zurique, Su��a; Basquiat-Combas: Paintings, Louis Cane: Sculptures, Librairie Beauborg, Paris, Fran�a; Portrait of a Collector: Stephane Janssen, Louisiana Museum of Modern Art, Humlebaek, Dinamarca; 1976-1986: Ten Years of Collecting Contemporary American Art. Selections from the Edward R. Downe, Jr. Collection, Wellesley College Museum, Estados Unidos.
1986
Zeichen, Symbole, Graffiti in der Aktuellen Kunst, Suermondt-Ludwig Museum und Museumverein Aachen, Alemanha; Prospekt 86, Frankfurter Kunstverein, Alemanha; Collaborations: Jean-Michel Basquiat & Andy Warhol, Akira Ikeda Gallery, T�quio, Jap�o; Esprit de New York - Paintings and Drawings, Galerie Barbara Farber, Amsterd�, Holanda; Figure as Subject: The Last Decade. Selections from the Permanent Collection of the Whitney Museum of American Art, Whitney Museum of American Art at Equitable Center, Nova York, Estados Unidos; 75th American Exhibition, The Art Institute of Chicago, Estados Unidos; Contemporary Issues III, Holman Hall Art Gallery, Trenton State College, New Jersey, Estados Unidos.
1985/86
Vom Zeichnen: Aspekte der Zeichnung 1960-1985, Frankfurter Kunstverein, Frankfurt, Alemanha; Drawings, Knight Gallery, Spirit Square Arts Center, Charlotte, Estados Unidos.
1985
XIII Biennale de Paris, Grande Halle du Parc de la Villette, Paris, Fran�a; The Chi-Chi Show, Massimo Audiello Gallery, Nova York, Estados Unidos; 7000 Eichen, Kunsthalle Tubingen and Kunsthalle Bielefeld, Alemanha; Das Oberengadin in der Malerei, Segantini Museum, St. Moritz, Su��a; Collaborations: Jean-Michel Basquiat, Francesco Clemente, Andy Warhol, Akira Ikeda Gallery, T�quio, Jap�o; Warhol and Basquiat: Paintings,Tony Shafrazi Gallery, Nova York, Estados Unidos; The Door, Annina Nosei Gallery, Nova York, Estados Unidos; Drawing the Line: Painting, Annina Nosei Gallery, Nova York, Estados Unidos.
1984/85
Since the Harlen Renaissance: 50 Years of Afro-American Art, Center Gallery of Bucknell University, Lewisberg, Estados Unidos; Content: A Contemporary Focus, 1975-1984, Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Smithsonian Institution, Washington DC, Estados Unidos; Figuration Libre France/USA, Mus�e d'Art Moderne de la Ville de Paris, Paris, Fran�a.
1984
Modern Expressionists: German, Italian and American Painters, Sidney Janis Gallery, Nova York, Estados Unidos; Van Der Zee Memorial Show: James Van Der Zee, 1886-1993, New York City Department of Cultural Affairs, Nova York, Estados Unidos; Painting and Sculpture Today, Indianapolis Museum of Art, Indian�polis, Estados Unidos; American Neo-Expressionists, The Aldrich Museum of Art, Ridgefield, Estados Unidos; Drawings by 11 Artists, Willard Gallery, Nova York, Estados Unidos; New Art, Mus�e d'Art Contemporain, Montreal, Canad�; An International Survey of Recent Painting and Sculpture, Museum of Modern Art, Nova York, Estados Unidos; Aspekte Amerikanischer Kunst Der Gegenwart, Neue Galerie-Sammlung Ludwig, Aachen, Alemanha; The East Village Scene, Pennsylvania, Filad�lfia, Estados Unidos; Content, Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Smithsonian Institution, Washington, DC, Estados Unidos; Painting Now: The Restoration of Painterly Figuration, Kitakyushu Municipal Museum of Art, Jap�o; Arte di Frontiera: N. Y. Grafitti, Galleria Communale d'Arte Moderna di Bologna, It�lia; Colabora��es: Jean-Michel Basquiat, Francesco Clemente, Andy Warhol, Gallery Bruno Bischofberger, Zurique, Su��a; Art, Area, Nova York, Estados Unidos.
1983/84
Bact to the USA: Amerikanische Kunst der Siebziger und Achtziger, Kunstmuseum Luzern, Su��a; Written Imagery Unleashed in the Twentieth Century, Fine Arts Museum of Long Island, Hempstead, Nova York, Estados Unidos.
1983
Biennial Exhibition, Whitney Museum of American Art, Nova York, Estados Unidos; Post Graffiti, Sidney Janis Gallery, Nova York, Estados Unidos; Intoxication, Monique Knowlton Gallery, Nova York, Estados Unidos; Paintings, Mary Boone Gallery, Nova York, Estados Unidos; Mary Boone and Her Artists, The Seibu Museum of Art, T�quio, Jap�o; Food for the Soup Kitchens, Fashion Moda, Bronx, Nova York, Estados Unidos; From the Streets, Greenville County Museum of Art, Estados Unidos; Terminal New York, Brooklyn Navy Yard, Nova York, Estados Unidos; Expressive Malerei nach Picasso, Galerie Beyeler, Basil�ia, Su��a; Champions, Tony Shafrazi Gallery, Nova York, Estados Unidos; Group Show, Annina Nosei Gallery, Nova York, Estados Unidos.
1982/83
New York Now, Kestner-Gesellschaft, Hannover, Alemanha; Group Show, Annina Nosei Gallery, Nova York, Estados Unidos.
1982
New New York, University Fine Arts Galleries, School of Visual Arts, Florida State University, Tallahassee, Estados Unidos; Body Language: Current Issues in Figuration, University Art Gallery, San Diego State University, San Diego, Estados Unidos; Avanguardia Transavanguardia, Mura Aureliane da Porta Metronia a Porta Latina, Roma, It�lia; Transavanguardia: Italia/America, Galleria Civica del Comune di Modena, It�lia; New York, Sidney Janis Gallery, Nova York, Estados Unidos; Fast, Alexander F. Milliken Gallery, Nova York, Estados Unidos; Documenta 7, Kassel, Alemanha; The Expressionist Image: American Art from Pollock to Today, Sidney Janis Gallery, Nova York, Estados Unidos; The Pressure to Paint, Marlborough Gallery, Nova York, Estados Unidos; Still Modern After All These Years, The Chrysler Museum, Norfolk, Estados Unidos; Drawings, Blum Helman Gallery, Nova York, Estados Unidos; Group Show, Annina Nosei Gallery, Nova York, Estados Unidos.
1981/82
Group Show, Annina Nosei Gallery, Nova York, Estados Unidos.
1981
New York/New Wave, P.S. 1, Institute for Art and Urban Resources, Long Island City, Nova York, Estados Unidos; Lower Manhattan Drawing Show, Mudd Club, Nova York, Estados Unidos; Beyond Words: Graffti Based-Rooted-Inspired Works, Mudd Club, Nova York, Estados Unidos; Public Address, Annina Nosei Gallery, Nova York, Estados Unidos.
1980
Time Square Show, Colab (Collaborative Projects Incorporated) and Fashion Moda (organizers), 41st Street and Seventh Avenue, Nova York, Estados Unidos.


Cole��es p�blicas


Osaka City Museum of Modern Art, Jap�o;
Chicago Art Institute, Illinois, Estados Unidos;
Everson Museum of Art, Syracuse, Nova York, Estados Unidos;
Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York, Estados Unidos;
Kestner-Gesellschaft, Hannover, Alemanha;
Museum Boymans-van Beuningen, Roterd�, Holanda;
Museum of Contemporary Art, Chicago, Estados Unidos;
Museum of Contemporary Art, Los Angeles, Estados Unidos;
Museum of Modern Art, Nova York, Estados Unidos;
Museum of Fine Arts, Montreal, Canad�; Whitney Museum of American Art, Nova York, Estados Unidos.